Trecho da BR 262, entre Terenos e Anastácio, contemplado na licitação.
(Foto: CG News)
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deu mais um passo no plano de modernização da infraestrutura viária de Mato Grosso do Sul ao publicar, nesta quarta-feira, 27 de maio, o edital de licitação para contratar os estudos e projetos de engenharia visando à duplicação de um importante trecho da BR-262. Com um orçamento estimado em R$ 11.650.868,17, o planejamento abrange um total de 105,7 quilômetros da rodovia, divididos estrategicamente para conectar os municípios de Terenos, Dois Irmãos do Buriti e Anastácio.
O processo de contratação foi estruturado em duas etapas distintas. A primeira fase compreende a extensão de 59,9 quilômetros que vai de Terenos (entroncamento da MS-352/355) até o acesso a Dois Irmãos do Buriti (entroncamento da MS-162), com custo previsto de R$ 6.061.050,64. A segunda etapa dá continuidade ao traçado a partir de Dois Irmãos do Buriti até o entroncamento com a Avenida JK, na chegada a Anastácio e Aquidauana, cobrindo 45,8 quilômetros com valor estipulado em R$ 5.589.817,53. A disputa ocorrerá em modo fechado, avaliando técnica e preço, com abertura das propostas marcada para o dia 17 de julho.
Esta nova frente de projetos se soma a um contrato anterior, firmado em outubro de 2025 com a Houer Engenharia Ltda, por R$ 6,1 milhões, que já trabalha no projeto de duplicação dos 42,64 quilômetros iniciais entre Campo Grande e Terenos. O DNIT reitera, contudo, que o edital atual foca exclusivamente no embasamento técnico e executivo, não representando ainda o início das obras físicas na pista.
O contraponto: o esquecimento do trecho pantaneiro até Corumbá
Apesar do avanço burocrático para aproximar a duplicação da região de Aquidauana e Anastácio, o anúncio gera um forte contraponto com a realidade vivida mais adiante na mesma rodovia. O trecho que conecta esses municípios à cidade de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, permanece completamente de fora dos planos de duplicação do Governo Federal, continuando em pista simples ao longo de toda a sua extensão pelo Pantanal.
Essa exclusão contraria o clamor urgente de vereadores de Corumbá e de deputados estaduais, que há anos utilizam as tribunas para cobrar investimentos pesados na região. As lideranças políticas locais argumentam que o trecho corumbaense convive diariamente com uma movimentação massiva de caminhões pesados — essenciais para o escoamento de minérios e commodities —, o que sobrecarrega a malha asfáltica. Sem a devida duplicação, a combinação do tráfego pesado com a pista estreita tem resultado em acidentes graves e frequentes, transformando a viagem ao extremo oeste do estado em um desafio constante à segurança dos motoristas.
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