Rosenilda (do lado direito), e o marido (do lado esquerdo). Ele confessou o crime à polícia.
(Foto: Redes Sociais)
"Eu só peço que a senhora ore por mim", a frase foi enviada em um áudio por A.M.S. à mãe de Rosenilda de Oliveira Candelário, de 48 anos, logo após assassiná-la em Nioaque, no último fim de semana. Autor do 15º feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso do Sul, ele manteve contato com a sogra antes e depois do crime. Ao Campo Grande News, a irmã da vítima, a massoterapeuta Rosângela Oliveira Candelário, de 44 anos, contou quem era Rosenilda e relembrou a história do relacionamento dos dois.
Segundo Rosângela, nos áudios enviados à mãe no dia seguinte, Antônio relata que os dois passaram a sexta-feira bebendo e faz referência à presença de Reginaldo Messias Bispo, também morto por ele. Para a irmã da vítima, o conteúdo contradiz a versão apresentada pelo autor à polícia, de que teria agido por ciúmes.
"Ele falou em depoimento que agiu por ciúme, mas isso contradiz o que disse para a minha mãe. Falou que deixou minha irmã bebendo no bar junto com o Regis, que era uma pessoa de confiança", afirmou.
A família de Rosenilda cresceu em Jardim, onde os pais trabalhavam em fazendas. As quatro irmãs foram criadas na zona rural. "Minha irmã, desde muito nova, já tinha a responsabilidade de cuidar de nós três. Ela cresceu nesse ritmo de ser a mulher da família", relembra Rosângela.
Rosenilda conheceu o companheiro ainda adolescente, quando a família se mudou para o Assentamento Andalucía, em Nioaque, após adquirir um lote. Filho de um vizinho, ele tinha cerca de 17 anos e, segundo Rosângela, já demonstrava interesse pela irmã. Pouco tempo depois, porém, a família vendeu a propriedade e deixou a região, interrompendo o contato entre os dois.
"Os anos se passaram e, quando minha irmã o reencontrou, ele já havia se separado da família que tinha. Foi então que eles começaram um relacionamento", contou.
Há cerca de sete meses, o casal passou a morar junto. Rosenilda deixou Campo Grande, vendeu o terreno onde vivia e comprou uma casa em Nioaque, imóvel onde acabou sendo assassinada. No local, os dois abriram um bar. Segundo Rosângela, foi nesse período que o consumo de álcool se intensificou.
"Ali começou a bebedeira. Minha irmã sempre teve problemas com bebida alcoólica. No dia em que ele a matou, eles estavam bebendo. Durante todo o dia, ele ficou reclamando dela e dizendo que iria perder a cabeça porque ela tinha muito ciúme", disse ela.
Ainda conforme a irmã, a mãe não percebeu a gravidade dos áudios enviados pelo suspeito ao longo do sábado porque não sabe ler e estava trabalhando. "Quando minha mãe ouviu os últimos áudios dele, por volta das 19 horas, minha irmã já tinha sido assassinada. Ele pediu perdão para ela e pediu oração", contou.
Nos áudios enviados ao Campo Grande News, o acusado diz que havia deixado Reginaldo com Rosenilda. "Ficou ela e o Regis lá. Mas o Regis não é cara 'entrão', não. Ele é tranquilo. Sobre o Regis não tem problema."
Em outra gravação, ele afirma: "A senhora viu o atrevimento. Estou em uma base de 1.500 metros de onde ela está e não me escondo de ninguém. [...] Se eu ver o fogo subindo lá, já era. Se a senhora quiser me denunciar, pode me denunciar, não tem problema."
Após os assassinatos, o suspeito envia uma última mensagem. "Abraço, boa noite. Eu só peço que a senhora ore por mim", diz.
Sobre o caso
Rosenilda foi assassinada a tiros na varanda da casa onde morava e funcionava o bar do casal. Em seguida, seu companheiro matou Reginaldo Messias Bispo, de 58 anos, com golpes de faca. Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada após moradores ouvirem disparos de arma de fogo. Minutos depois, uma nova ligação informou que duas pessoas estavam mortas.
No imóvel, os policiais encontraram Rosenilda sentada em uma cadeira, com duas perfurações na cabeça. Nas proximidades, Reginaldo foi localizado caído no chão, com diversas perfurações provocadas por arma branca.
No domingo (19), um homem de 40 anos foi levado à delegacia após ser encontrado com o celular de Reginaldo, no Centro de Nioaque. Ele foi abordado depois que funcionários de uma assistência técnica acionaram a Polícia Militar ao perceberem que tentava desbloquear o aparelho.
O homem afirmou ter encontrado o celular nas proximidades do local do crime e decidido levá-lo. Segundo a polícia, retirar um objeto que pode estar relacionado à investigação antes da realização da perícia pode configurar fraude processual.
Na manhã de segunda-feira (20), o marido da vítima se apresentou à Polícia Civil e confessou os crimes. Em depoimento, indicou onde havia descartado a arma de fogo usada para matar Rosenilda, mas disse não saber informar o paradeiro da faca utilizada contra Reginaldo. À polícia, afirmou que matou a companheira por ciúmes.
Fonte: Campo Grande News
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