Carlos Bernardo em evento em Ladário
(Foto: Assessoria de Imprensa)
Candidato a deputado federal e dono da fazenda onde a Polícia Federal (PF) apura possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, Carlos Bernardo (União Brasil) afirmou ao Capital do Pantanal que não acompanha diretamente as contratações feitas na propriedade, em Porto Murtinho. Questionado sobre como funciona a admissão de trabalhadores, disse que dois funcionários antigos administram a fazenda e têm autonomia para contratar.
“Minha filha, termina, sai um, não quer mais, aí chama um tio, um vizinho. Eu não tenho como saber quem começou a trabalhar, nem quando foi”, afirmou Bernardo ao explicar como ocorrem as admissões.
A declaração foi dada após uma operação realizada nesta quinta-feira (17) pela PF e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, 23 trabalhadores foram encontrados em situação trabalhista irregular. A investigação começou a partir de informações sobre o recrutamento informal de estrangeiros e apura indícios de falta de registro, possível retenção de pagamentos e restrições à liberdade dos trabalhadores de deixar o local.
Bernardo confirmou ser proprietário da fazenda, mas disse frequentar o local aproximadamente uma vez a cada três meses. De acordo com o empresário, Clara e Edgar trabalham com ele há vários anos e são responsáveis pela administração e pelas contratações. Questionado sobre o que sabia a respeito da operação, afirmou que, naquele momento, estava “sabendo tanto quanto” a reportagem.
Ao falar sobre a ausência de registro, o candidato afirmou que parte dos trabalhadores da região é paraguaia e alegou que “os paraguaios não podem ser registrados”. Também disse que alguns brasileiros optariam por trabalhar sem registro para não perder benefícios sociais.
A legislação brasileira, no entanto, permite a contratação formal de trabalhadores estrangeiros que atendam aos requisitos migratórios e de documentação. Cidadãos paraguaios também estão abrangidos pelo Acordo de Residência do Mercosul, que prevê mecanismos de regularização no Brasil. Bernardo não soube informar quantos dos 23 trabalhadores encontrados na propriedade eram estrangeiros.
O empresário afirmou ainda que possui mais de 600 funcionários considerando suas diferentes atividades e que, por isso, não consegue acompanhar individualmente a nacionalidade de quem é contratado. Sobre as condições oferecidas na fazenda, declarou que os trabalhadores recebem entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil líquidos, além de alimentação e alojamento. As informações apresentadas pelo candidato não foram confirmadas pela PF ou pelo MTE.
Durante a mesma operação, os agentes apreenderam 14 armas de fogo de grosso calibre e munições. Conforme a PF, o armamento estava irregular e algumas armas apresentavam numeração raspada.
Bernardo afirmou desconhecer a quem pertenciam as armas e disse que também não sabia da existência de armamento com numeração suprimida na propriedade. Como explicação para a presença de armas em propriedades rurais da região, citou a proximidade com a fronteira e casos de furto de gado e invasões. A declaração, porém, não esclareceu a origem das 14 armas apreendidas em sua fazenda.
A PF informou que as investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do caso e identificar eventuais responsáveis e outros envolvidos.
Receba as notícias no seu Whatsapp.Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal
Leia Também
Hanna sugere sinalização mais eficiente dos pontos turísticos de Corumbá
Jovan cobra providências para conter processo erosivo na área urbana
Prefeitura publica resultado da análise de elegibilidade dos Residenciais Ipês I e II
Articulação de Paulo Duarte garante avanço para construção de casas populares em Corumbá
Hanna defende intervenções na drenagem de águas pluviais
Locais de votação em Corumbá e Ladário sofrem alterações
TRE-MS inicia preparação e lacração das urnas eletrônicas para as Eleições 2026
Bairro Universitário tem pedidos por Zumba e poda de árvores próximas à rede elétrica
Vendaval deixa prejuízo de até R$ 40 milhões e recuperação pode levar meses em Campo Grande