Lúcio Cavalli, diretor de projetos da Lhg Mining.
(Foto: Capital do Pantanal)
Aproveitando a ida até o Distrito de Porto Esperança para acompanhar a entrega da reforma da Escola Municipal Rural de Educação Integral Polo Porto Esperança e Extensões, na manhã desta quarta-feira, 16 de setembro, o Capital do Pantanal realizou uma entrevista com o diretor de operações da Lgh Mining, Lúcio Cavalli, a respeito de demandas históricas de preservação ambiental e convivência com as comunidades tradicionais e ribeirinhas.
Lúcio Cavalli destaca que a presença da mineradora na região é pautada pelo compromisso social mútuo e pelo desenvolvimento sustentável. "Desde que assumimos, realizamos uma série de investimentos que englobam adequações na mina, nas usinas, no relacionamento com a comunidade e na capacitação do porto. Temos aqui depósitos de 1,4 bilhão de toneladas que possibilitam a operação por mais de 50 anos. Nosso projeto é de longo prazo: queremos manter uma relação de crescimento com o poder público e as comunidades, desenvolvendo a mina sem passar por cima de ninguém e atendendo aos interesses de ambas as partes", afirma.
Uma das principais mudanças estruturais na gestão ambiental da companhia apresentada pelo diretor diz respeito à segurança e destinação de resíduos. Ele explica que a Barragem de Gregório Curvo está totalmente paralisada e não recebe novos rejeitos. Atualmente, a estrutura passa por um rigoroso processo de descomissionamento, cujo objetivo é reintegrá-la totalmente à topografia original do terreno. Segundo o diretor, a barragem atende a 100% da legislação vigente, opera a seco e não apresenta qualquer tipo de intercorrência.
Para abolir a necessidade de novas barragens desse tipo, a mineradora adotou a tecnologia de filtragem de rejeitos. Todo o material gerado é filtrado e retorna para as frentes de lavra para auxiliar na recuperação ambiental das áreas mineradas.
Essa inovação também resolveu uma queixa histórica de moradores locais quanto à lavagem de minério e o escoamento de água avermelhada na região da comunidade dos Balneários da cidade. Segundo o diretor, hoje, cerca de 60% do minério é lavado, mas o sistema opera em circuito fechado: toda a água utilizada no processo de filtragem é reaproveitada dentro da própria usina. "O excedente que flui para balneários como o do Menk provém exclusivamente de poços limpos da empresa, eliminando qualquer descarte de efluentes de rejeito nos corpos hídricos locais", assegura o diretor.
Mitigação de poeira e o desafio logístico
O transporte rodoviário de minério por caminhões tem sido o foco de medidas mitigadoras emergenciais devido ao fim do contrato de escoamento com a concessionária Rumo, encerrado em dezembro do ano passado. Cavalli explica que a circulação de carretas na rodovia é uma condição temporária e que a companhia já mantém tratativas com o governo federal para reativar de forma efetiva a malha ferroviária do Estado.
Embora o custo financeiro para a recuperação total da ferrovia seja elevado, a adequação de toda a extensão é necessária, já que o trecho atual — exceto a linha que conecta Urucum diretamente ao terminal portuário — não possui estrutura nativa adequada para suportar os pesados vagões carregados de minério de ferro.
Lúcio afirma que a empresa tem ciência do impacto gerado pelo fluxo terrestre nas estradas, e por isso, implementou um pacote de ações imediatas de segurança e controle ambiental. Entre as principais ações estão: a instalação de 4 quilômetros de áreas aspergidas fixas ao longo de trechos críticos para assentar o pó antes que ele se espalhe; contratação de moradores locais para atuar em frentes de trabalho com caminhões-pipa, garantindo o molhamento das vias 24 horas por dia; e instalação de sinalização reforçada e novos redutores de velocidade (quebra-molas) na rodovia para coibir o excesso de velocidade das carretas e proteger os motoristas que trafegam na região.
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