Encontro entre mulheres debate caminhos para fortalecer renda
(Foto: Divulgação)
A dificuldade de fazer produtos de comunidades tradicionais chegarem a mercados mais amplos ainda limita a geração de renda de mulheres no Pantanal. Ao problema de comercialização se somaram, nos últimos anos, os efeitos da seca, dos incêndios e das mudanças no clima sobre a forma como essas mulheres conseguem produzir e viver no território.
O diagnóstico é de Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa, organização responsável pela execução local do projeto Redes pela Conservação. Mulheres do Pantanal, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa estão em Corumbá para discutir caminhos que permitam fortalecer atividades produtivas ligadas aos recursos naturais e ampliar a autonomia de quem vive nesses territórios. O encontro começou na quinta-feira (17), no Centro de Convenções de Corumbá, e segue nesta sexta (18), com visita de campo à Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra, em Ladário.
Segundo Nathalia, as dificuldades para levar a produção das comunidades a um mercado mais amplo permanecem, mas hoje dividem espaço com problemas que ganharam peso nos últimos anos.
“Essa dificuldade de escoamento da produção de algumas regiões ainda é realidade, por exemplo, os produtos das comunidades para o mercado de modo mais amplo. E em cima disso se somou a questão que essas mulheres do Pantanal enfrentaram os incêndios e a seca que atingiram a região nos últimos anos”, afirma.
Além dos eventos extremos, ela aponta que as mudanças no clima vêm alterando as condições em que essas mulheres conseguem produzir e viver no Pantanal. A visita à APA Baía Negra pretende justamente apresentar essa realidade às participantes que vieram de outros biomas. No local, mulheres organizadas em associação desenvolvem atividades de geração de renda com produção de doces, artesanato e turismo de base comunitária. Criada em 2010, a Baía Negra é a primeira e única unidade de conservação de uso sustentável do Pantanal sul-mato-grossense.
A proposta, porém, não é tratar os dois dias de encontro como solução para problemas que envolvem renda, logística e acesso ao mercado. Segundo Nathalia, as discussões servem para alinhar uma atuação que será desenvolvida ao longo dos próximos quatro anos nos cinco biomas, com foco na organização coletiva das cadeias produtivas.
“Esse encontro sozinho não resolve. O que ele faz é alinhar como vai ser a execução do trabalho dentro do projeto Redes pela Conservação, que vai atuar quatro anos nos cinco biomas pra ajudar a estruturar essas cadeias produtivas de um jeito coletivo”, explica.
Um dos obstáculos está no custo de cada comunidade tentar comercializar seus produtos de maneira isolada. Diante de volumes menores, montar uma estrutura própria de equipe e logística pode custar mais do que a atividade consegue sustentar. A alternativa que será testada no Pantanal é aproximar diferentes organizações para dividir esforços e buscar mercados de maneira coordenada.
“A saída que já funcionou em outros lugares foi organizar isso entre várias organizações e buscar mercado de forma coordenada. É essa lógica que a gente vai testar aqui no Pantanal com as cadeias locais. O formato exato ainda vai ser desenhado ao longo do processo, não é algo que sai pronto desse encontro”, diz Nathalia.
Uma das experiências pantaneiras envolvidas nessa discussão vem da comunidade da Barra do São Lourenço. Pescadora e artesã, Leonida Aires, conhecida como Eliane, preside a Associação de Mulheres Artesãs da Comunidade da Barra do São Lourenço (Renascer) e integra a Rede de Mulheres Produtoras do Cerrado e Pantanal (CerraPan). No encontro, ela representa mulheres que transformam recursos naturais e conhecimentos do território em geração de renda, ao mesmo tempo em que mantêm saberes ribeirinhos.
Ao todo, cerca de 20 mulheres participam das atividades, entre indígenas, quilombolas, agricultoras familiares e lideranças de diferentes regiões do país. Parte delas foi indicada por redes que integram o Redes pela Conservação, e as discussões realizadas em Corumbá também vão orientar o trabalho de justiça de gênero do projeto até 2031.
O Redes pela Conservação atua nos cinco biomas e também apoia ações ligadas aos Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas. A iniciativa é realizada pela Cáritas Alemanha, Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Rede Cerrado e Rede Ecovida, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. No Pantanal, a execução é da Ecoa, com financiamento da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), do governo alemão.
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