Representantes do Município e Estado participaram de encontro em Brasília. (Ascom, Vander Loubet)
(Foto: Midiamax)
O vendaval que atingiu Campo Grande deixou uma conta que pode chegar a R$ 40 milhões e problemas que, quase uma semana depois, vão além das árvores caídas pelas ruas. Escolas foram destelhadas, famílias tiveram casas danificadas, semáforos pararam de funcionar e estruturas públicas foram atingidas. Agora, a capital tenta transformar o reconhecimento da situação de emergência em recursos para reparar os estragos.
O temporal atingiu a cidade na quinta-feira (10), com ventos acima de 85 km/h e rajadas próximas de 100 km/h em alguns pontos. Entre 17h e 18h, foram registradas 5.270 descargas atmosféricas. A força do vento derrubou árvores, galhos e postes, provocou destelhamentos e causou danos em vias, calçadas, ciclovias, iluminação pública, drenagem, pavimentação e semáforos. Também houve interrupções nos serviços de energia, água e telecomunicações.
Nos dias seguintes, a dimensão dos estragos ficou mais clara. Até segunda-feira (14), 450 ocorrências haviam sido contabilizadas desde o início das chuvas. Desse total, 423 envolviam quedas de árvores ou galhos, com mais de 120 chamados somente na região central. Desde o dia 10, o acumulado de chuva já ultrapassava 102 milímetros, quase 40% acima da média histórica de setembro.
Nas casas, o impacto foi além da falta de energia e das ruas bloqueadas. Até o dia 14, 118 atendimentos emergenciais relacionados à habitação haviam sido concluídos. Moradores de bairros como Nova Esperança, Jardim Seminário e Moreninhas receberam lonas após terem as residências destelhadas. Cerca de 200 famílias ainda precisavam de algum tipo de atendimento relacionado à moradia, incluindo pessoas que ficaram desabrigadas.
Os prejuízos também atingiram serviços usados diariamente pela população. Os primeiros levantamentos apontavam mais de 20 escolas municipais danificadas, número que depois chegou a 37 unidades destelhadas. A UPA do Bairro Universitário e a Esplanada Ferroviária estão entre as estruturas afetadas. A recuperação também envolve asfalto, arborização e a rede de semáforos.
No trânsito, foram registrados 213 atendimentos relacionados a problemas nos semáforos. Quatro dias depois da tempestade, alguns equipamentos ainda permaneciam desligados, aumentando os transtornos em diferentes pontos da cidade.
Somados, os danos levaram a uma estimativa de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões para a recuperação de Campo Grande. O cálculo considera gastos com infraestrutura, educação, saúde e assistência social. A Prefeitura passou a trabalhar com R$ 40 milhões como estimativa preliminar, que ainda pode mudar conforme cada reparo seja detalhado e orçado.
Enquanto os prejuízos eram levantados, começaram os procedimentos para buscar recursos fora do caixa municipal. Campo Grande declarou situação de emergência e o Governo de Mato Grosso do Sul reconheceu a medida por 180 dias. O decreto estadual, publicado nesta quarta-feira (16), permite mobilizar órgãos estaduais para ações de resposta e recuperação.
O reconhecimento federal também foi publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União. A medida permite que Campo Grande solicite recursos federais, mas não significa que o valor já está disponível. O município ainda precisa apresentar os pedidos, detalhar onde o dinheiro será aplicado e aguardar a análise do Governo Federal.
A prefeita Adriane Lopes (PP) esteve em Brasília na terça-feira (15) para apresentar o levantamento dos prejuízos e discutir o atendimento à cidade. O deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, participou da articulação das agendas com integrantes do Governo Federal. Com o reconhecimento da emergência, o processo entra agora na etapa de apresentação dos planos de trabalho, análise dos custos e aprovação dos recursos.
Há expectativa de uma primeira liberação entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões ainda nesta semana ou no início da próxima. O dinheiro seria destinado principalmente ao atendimento das famílias e à recuperação de estruturas públicas que precisam de resposta imediata. Esse repasse, no entanto, ainda depende da formalização do pedido e da análise federal e, até esta quarta-feira, não havia confirmação oficial de que o valor tivesse sido transferido.
A reconstrução mais ampla deve levar mais tempo. Para receber recursos federais destinados a esse tipo de obra, o município precisa apresentar um plano de trabalho em até 90 dias após o desastre. É nessa etapa que entram reparos que não se resolvem com a retirada de uma árvore, a colocação de uma lona ou um conserto provisório, como telhados, instalações públicas, pavimentação e outras estruturas danificadas.
Alguns problemas começaram a ser resolvidos nas primeiras horas após o temporal, enquanto outros podem levar semanas ou meses. Até segunda-feira, mais de 35 equipes trabalhavam nos atendimentos, sendo 13 delas em serviços como corte de árvores, retirada de entulho e desobstrução de bueiros. Mesmo assim, ainda havia pontos aguardando atendimento.
Com a emergência reconhecida, a próxima etapa será definir quanto dinheiro chegará de fato, quais reparos serão contemplados e quanto tempo a cidade levará para recuperar o que foi destruído.
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