Prédio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
(Foto: Wagner Guimarães, Arquivo, Alems)
Faltando pouco mais de dois meses para as eleições que definirão as 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), a corrida pelo controle do Palácio Guaicurus já começou nos bastidores. A disputa visa o comando da Casa de Leis para a 13ª legislatura, que compreenderá o período de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031. De acordo com apurações do jornal Correio do Estado, três deputados despontam como fortes concorrentes ao cargo máximo do parlamento estadual: Coronel David (PL), Paulo Corrêa (PL) e Pedro Caravina (PSDB) — todos figurando também como pré-candidatos à reeleição em outubro.
Essa engrenagem sucessória coloca em lados opostos dois dos principais políticos de Mato Grosso do Sul, que historicamente caminham como aliados de primeira hora. De um lado, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), pré-candidato ao Senado e líder de sua legenda no Estado, atua como o fiel da balança em uma disputa interna de correligionários, sendo disputado pelo apoio de Coronel David e do atual primeiro-secretário da Casa, Paulo Corrêa. Do outro lado da corda está o atual governador Eduardo Riedel (PP), pré-candidato à reeleição, que tem no ex-prefeito de Bataguassu, Pedro Caravina, seu nome de preferência para liderar a base governista no Legislativo a partir do próximo ano.
Apesar da nítida queda de braço entre as lideranças, os três compartilham um importante ponto de convergência técnica. Há um consenso de que o atual presidente da Alems, deputado Gerson Claro (PP), deve manter uma posição de alto escalão na Mesa Diretora. O arranjo político desenhado nos corredores prevê uma transição pacífica na qual Claro deixaria a presidência para assumir a primeira-secretaria, considerada a chave de maior peso administrativo e financeiro da instituição parlamentar.
Se por um lado a experiência conta pontos, por outro ela gera desgastes. Veterano com oito mandatos na bagagem e ex-presidente da Casa, Paulo Corrêa enfrenta correntes internas que clamam por renovação política e pelo surgimento de novas lideranças na mesa de comando. O parlamentar também carrega o desgaste de ter seu nome citado nas investigações da Operação Gutenberg, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suposta corrupção na compra de livros paradidáticos. Embora o deputado negue com veemência as irregularidades e não tenha sofrido denúncia formal até o momento, interlocutores alertam que a constante exposição midiática do caso pode enfraquecer seus planos de poder e respingar em sua campanha de reeleição.
A formatação final dessa disputa dependerá diretamente do desenho que emergirá das urnas em outubro. No entanto, o início antecipado das movimentações evidencia que a definição da futura Mesa Diretora será o primeiro e mais importante teste de força política real entre os grupos que darão as cartas em Mato Grosso do Sul nos próximos anos.
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