Terça-feira, 21 de Julho de 2026
Capital

Resgate armado de presos expõe falha grave na segurança, alerta sindicato

21 jul 2026 - 17h40   atualizado às 17h44

Gesiane S. Lourenço

Resgate armado de presos expõe falha grave na segurança, alerta sindicato Buraco foi aberto em grade para que grupo entrasse na unidade prisional. (Foto: Campo Grande News)

O resgate de três detentos por um grupo armado no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, expôs falhas nos protocolos de segurança e o risco enfrentado pelos policiais penais, segundo o Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária do Estado de Mato Grosso do Sul).

A entidade afirmou que cobrará providências urgentes da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) após a invasão ocorrida na madrugada de segunda-feira (20).

Seis homens participaram do resgate. Eles cortaram o alambrado da unidade penal, arrombaram os cadeados da cela onde estava Ítalo de Moraes, sobrinho de José Cláudio Arantes, o Tio Arantes, apontado como liderança do PCC (Primeiro Comando da Capital) em Mato Grosso do Sul. Além do preso “famoso”, outros 2 colegas de cela dele, Thiago Pereira Costa e Bruno Araújo da Silva, foram retirados do estabelecimento penal.

A fuga também remete ao histórico de José Cláudio Arantes. Em novembro de 2021, o próprio Tio Arantes escapou do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira e permaneceu foragido até ser localizado e preso na Bolívia, em 2023.

Para o sindicato, a regulamentação da carreira da Polícia Penal permitiria estabelecer protocolos obrigatórios de segurança, procedimentos operacionais e equipes de pronto emprego para situações como a registrada na Gameleira. “Na ausência da lei, a gestão reiteradamente tem regulamentado o exercício das nossas atribuições via decreto”, declarou a entidade.

Segundo o Sinsap, o modelo atual resulta em excesso de tarefas, falta de efetivo, sobrecarga de trabalho e insegurança para os servidores.

Policiais penais ouvidos reservadamente pelo Campo Grande News afirmaram que o plantão na unidade teria, no máximo, sete servidores para a guarda de aproximadamente 1,6 mil presos, média de 228 detentos para cada funcionário. Eles demonstraram revolta com a possibilidade de a responsabilidade pelo episódio ser atribuída aos trabalhadores que estavam de serviço.

Na avaliação desses servidores, o episódio não deve ser tratado como uma fuga convencional, já que um grupo externo armado entrou na unidade com o objetivo específico de retirar determinado preso. Eles também afirmam que o presídio não possui muralha e classificam como insuficientes os mecanismos de proteção existentes.

Os policiais da unidade não trabalham armados nas áreas internas e caso os plantonistas tivessem tentado impedir a ação, poderiam ter sido facilmente atacados e mortos.

O presidente do Sinsap, André Luiz Garcia Santiago, também afirmou que o episódio da Gameleira não deve ser considerado isolado e alertou para a possibilidade de ocorrências mais graves. Santiago também acusou a atual gestão de não tratar a vida e a integridade física dos policiais penais como prioridade.

A entidade critica ainda a abertura de novas unidades prisionais e a ampliação das atribuições da categoria sem o correspondente aumento no número de servidores. Para o sindicato, essa política agrava a deficiência de pessoal já existente no sistema penitenciário estadual.

Outro lado

A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) confirmou a fuga de Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, mas informou em nota que não houve confronto, invasão ou uso de armas. “A estrutura de contenção [grade] foi restabelecida, um procedimento administrativo foi aberto para apurar o caso e as forças de segurança realizam buscas pelos fugitivos, enquanto a Justiça foi comunicada para a expedição dos mandados de prisão”, completa o texto.

Fonte: Campo Grande News

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