Quarta-feira, 04 de Março de 2026
Meio Ambiente

Ribeirinhos cobram desobstrução do Corixo Gonçalinho

26 fev 2026 - 07h19   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane Sousa

Ribeirinhos cobram desobstrução do Corixo Gonçalinho Corixo Gonçalinho, braço do rio Paraguai, na região de Porto Morrinho, em Corumbá. (Foto: Enviada ao Capital do Pantanal)

Mais uma vez, ribeirinhos que vivem nas proximidades do Corixo Gonçalinho, enfrentam dificuldades de locomoção. De acordo com moradores e proprietários de pousadas na região, os dois acessos ao canal estão fechados por camalotes, impedindo a entrada da água, e consequentemente, a navegação. 

Cíntia Botiglieiri, proprietária da pousada Sonho Meu, no km 707 da BR 262, relata que a situação é recorrente. "Todo ano acontece a mesma coisa. No ano passado, os moradores se uniram e fizeram, por conta própria, a limpeza de um trieiro [caminho estreito], até onde o barco de pequeno porte conseguiu chegar, porém o esforço foi sobre-humano e muitos terminaram contraindo doenças provocadas por bactérias", explica. 

Além da necessidade vital por água, a falta de navegabilidade no corixo impede o desenvolvimento econômico da região, que recebe turistas todos os anos durante a temporada de pesca. Pousadas pesqueiras temem por não conseguirem atender os visitantes amantes da pescaria neste ano. 

Segundo relatos, em 2025, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) enviou uma barcaça para fazer a limpeza do canal, porém, de acordo os moradores, o serviço não teria sido fiscalizado e ficou incompleto. "Eles não efetuaram o serviço todo e o pouco que fizeram foi mal feito, só fez com que entupisse ainda mais de pressa as duas entradas do rio Paraguai para o nosso Corixo, diz Cíntia.

Resposta do DNIT

Em nota enviada ao Capital do Pantanal, o DNIT, esclareceu que embora a região do Corixo Gonçalinho fique fora da calha navegável da HN-950 - Rio Paraguai, historicamente o Departamento tem prestado apoio na desobstrução do canal de acesso à comunidade, considerando o caráter social de sua atuação.

O departamento explica que as embarcações e equipamentos utilizados na execução das atividades de desobstrução, requer águas altas, o que segundo eles, neste momento não é favorável, oferecendo "risco de as embarcações não conseguirem executar tecnicamente a desobstrução ou, em casos mais extremos, encalharem, o que incorreria em custos elevados ao erário, além da própria ineficiência na prestação do serviço".

Ainda de acordo com a nota, "a régua de Ladário encontra-se aproximadamente em 108 cm, consideravelmente abaixo da mediana para o período e fora da zona de normalidade histórica". O departamento explica que é necessário "aguardar a elevação dos níveis do rio, estimando que seu pico na região neste ano seja atingido entre maio e julho".

O DNIT afirma que acompanha a situação na localidade, e que "a campanha de desobstrução de vegetação aquática na região está prevista para ser realizada a partir de maio do ano corrente, podendo ter seu início antecipado em caso de elevação suficiente dos níveis de água ou suspenso em caso de não atingimento de calado suficiente para acesso da embarcação apropriada".

Sobre o relato de que o serviço realizado em 2025, foi incompleto e sem fiscalização, o Departamento esclarece que "todo o procedimento foi realizado respeitando as normas em vigor", e, justifica porque não é possível realizar a desobstrução das duas extremidades do canal.

"Uma das extremidades não tem calado suficiente para o rebocador, além de necessitar de abertura da margem, que exige licença ambiental, o que não se tem no momento, portanto é realizada a desobstrução de uma extremidade que dá acesso ao rio e a outra extremidade, a comunidade conta com a travessia da ponte, que dá acesso à outra margem", conclui.

Sensação de abandono

Celso Sebastião Vieira, esposo de Cíntia, relata que a sensação é de abandono. "O ano passado teve uma enchente e o corixo tinha água suficiente para que a barcaça enviada realizasse a desobstrução das duas entradas. Eles não empurraram a sujeira até o rio e o vento do sul trouxe tudo de volta, daí ficamos ilhados. Aqui, são vários hotéis e ranchos que vivem da pesca, nós vamos para pescaria em barcos, e não pelas estradas, precisamos da água e do canal desobstruído por completo", diz.

Celso fala em descaso com o povo do Corixo. "Ninguém se movimenta para cobrar das autoridades o que deve ser feito, as barcaças de minério são empurradas diariamente pelos rebocadores, e esse movimento traz areia para as margens do rio, por isso nosso corixo fica sem acesso. Nós queremos o Corixo Gonçalinho dragado!", exclama Celso, que vive no local desde 2019.

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