Militares, agentes de segurança e ambientalistas do Brasil e da Bolívia se reuniram no IHP.
(Foto: Divulgação/IHP)
Representantes de instituições civis e militares do Brasil e da Bolívia reuniram-se no Instituto Homem Pantaneiro (IHP), em Corumbá (MS), para fortalecer a cooperação transfronteiriça. O encontro binacional, realizado no dia 28 de julho, teve como objetivo integrar ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências ambientais na faixa de fronteira, que abrange os municípios brasileiros de Corumbá e Ladário e as localidades bolivianas de Puerto Quijarro e Puerto Suárez.
A iniciativa ganha urgência diante do último relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A nota técnica aponta que o fenômeno El Niño atingirá intensidade de moderada a forte no trimestre de agosto, setembro e outubro de 2026. A previsão de ondas de calor frequentes e baixa umidade na área central do continente pode superar a gravidade das secas de 2023 e 2024. Atualmente, o sistema Firms já aponta cenários críticos na Bolívia, onde o fogo já afetou mais de 5 milhões de hectares, com focos intensos nas divisas com Mato Grosso e Rondônia.
Monitoramento de alta tecnologia e o Sistema Pantera
Um dos pilares centrais do encontro foi a apresentação do Sistema Pantera às autoridades bolivianas. Desenvolvida e mantida pelo IHP, a plataforma opera por meio de torres equipadas com câmeras de alta resolução com giro de 360 graus. O sistema monitora focos de fumaça em tempo real e cobre uma área de mais de 1 milhão de hectares espalhados por Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e território boliviano, com foco especial na região de fronteira da Serra do Amolar. Durante a jornada de trabalho, os participantes também conheceram a metodologia de geração de informes e alertas precoce de focos de calor.
Para o subgovernador da Província Germán Busch, Luis Delgadillo Salazar, os recursos tecnológicos vão amparar uma agenda permanente de cooperação oficial. "A gestão de incêndios florestais e a proteção ambiental não reconhecem limites geográficos. Ao unirmos tecnologia, planejamento e capacidade operativa, fortalecemos nossa capacidade de resposta", destacou Salazar, que planeja novos encontros para consolidar os protocolos institucionais.
O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, reforçou que a atuação em bloco potencializa o combate ao fogo. "No Brasil, temos um trabalho coordenado que envolve Prevfogo/Ibama, Bombeiros, Marinha, Polícia Militar Ambiental e as frentes da Prefeitura de Corumbá. Na Bolívia, a Armada Boliviana tem ficado à frente de várias ações no combate e treinamento. Estar alinhado representa um avanço para termos esforços ampliados", pontuou Rabelo.
Integração militar e próximos passos
A cooperação prática entre os dois países já é realidade na linha de frente. Nos últimos três meses, mais de 60 oficiais e sargentos da Armada Boliviana passaram por treinamentos de capacitação técnica e intercâmbio cultural na sede do IHP. Em contrapartida, as equipes bolivianas compartilharam suas metodologias e apresentaram a estrutura de combate montada em Puerto Quijarro. O comandante do 5º Distrito Naval boliviano, capitão Cadmiel Mounzon Teran, defendeu a união: "Podermos ter alinhamento para somar forças é essencial, e o fogo não conhece fronteiras".
Como encaminhamento prático, as instituições selaram o compromisso de criar uma agenda de trabalho permanente. O próximo passo envolve a articulação diplomática e interinstitucional para oficializar protocolos de atuação rápida e canais de comunicação direta para a troca de informações em tempo real. Essas medidas locais devem se somar e encontrar respaldo nas tratativas de nível federal que os governos de ambos os países já realizam para proteger o ecossistema compartilhado do Pantanal e do Chaco boliviano.
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