Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026
Natureza

Governo federal planeja alterar concessão de hidrovia para destravar acordo com vizinhos

29 jul 2026 - 11h26   atualizado às 11h40

Gesiane S. Lourenço

Governo federal planeja alterar concessão de hidrovia para destravar acordo com vizinhos Barcaça de minério no rio Paraguai. (Foto: Divulgação)

O governo federal estuda remodelar a estrutura da concessão da Hidrovia do Rio Paraguai em uma tentativa de construir um consenso com os governos do Paraguai e da Bolívia sobre a governança do corredor logístico entre Corumbá e Porto Murtinho. A principal divergência gira em torno de quem será o responsável pela regulação das operações no trecho concedido. A falta de um acordo interrompeu a tramitação do projeto no Tribunal de Contas da União (TCU) e provocou sucessivos adiamentos no cronograma daquela que deve ser a primeira concessão hidroviária do país.

Segundo informações da Agência Infra, em matéria veículada no Campo Grande News, o Ministério de Portos e Aeroportos trabalha em uma contraproposta de modelagem para apresentar às autoridades paraguaias. O plano prevê um acordo trilateral que permita destravar a análise do projeto para, posteriormente, submetê-lo à aprovação dos congressos nacionais dos três países envolvidos.

O governo brasileiro defende que a regulação permaneça sob o guarda-chuva da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), enquanto os países vizinhos reivindicam participação direta na governança, sugerindo alternativas como o compartilhamento de atribuições regulatórias ou a alternância da autoridade responsável a cada renovação contratual.

O impasse adiciona um componente diplomático a um projeto que já enfrentava forte resistência doméstica por questões ambientais levantadas por pesquisadores, organizações civis e pelo Ministério Público Federal (MPF). O trecho da discórdia internacional abrange cerca de 600 quilômetros entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, em Porto Murtinho, englobando áreas de fronteira compartilhada. Na região de Corumbá, a calha do rio possui um segmento comum com a Bolívia, enquanto o ponto final da concessão faz divisa com o Paraguai. Qualquer intervenção ou regulação da navegação comercial exige a compatibilização das legislações nacionais para unificar regras de balizamento, sinalização náutica e monitoramento hidrológico.

Audiência pública em Corumbá discutiu sobre o futuro da Hidrovia do Paraguai. Foto: Giovanni Coletti

Recuo em obras e novos prazos

As pressões ambientais e diplomáticas alteraram o perfil do contrato, que prevê vigência de 15 anos (prorrogáveis por igual período) e investimentos de R$ 64 milhões. A proposta original, que incluía intervenções drásticas como o aprofundamento da calha, derrocamento de rochas e remoção de barrancos, foi totalmente descartada após alertas de especialistas em audiências públicas em Corumbá sobre os danos ao pulso de inundação do Pantanal. O modelo atual limita-se estritamente a dragagens de manutenção em pontos de assoreamento e gestão operacional.

O impasse gerou reflexos diretos no calendário do leilão. Inicialmente previsto para 2025, o certame foi empurrado para 2026 e, agora, a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação estima que ocorra apenas no primeiro semestre de 2027. Com o atraso na hidrovia pantaneira, o projeto de concessão dos canais de acesso portuário e trechos hidroviários do Rio Grande do Sul assumiu a dianteira no plano federal.

Apesar dos contratempos, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, mantém o otimismo de assinar o acordo internacional ainda em 2026 e iniciar o processo de licitação do corredor estratégico, que movimenta cerca de 10 milhões de toneladas de minério de ferro, manganês e soja por ano.

Receba as notícias no seu Whatsapp.Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal

 

Leia Também

Vendaval deixa prejuízo de até R$ 40 milhões e recuperação pode levar meses em Campo Grande
Calamidade

Vendaval deixa prejuízo de até R$ 40 milhões e recuperação pode levar meses em Campo Grande

Diretor da LHG Mining detalha ações para atender demandas históricas em Corumbá
Meio Ambiente

Diretor da LHG Mining detalha ações para atender demandas históricas em Corumbá

Brasil e Bolívia unem forças em ação inédita de prevenção a incêndios
Meio Ambiente

Brasil e Bolívia unem forças em ação inédita de prevenção a incêndios

Temporal deixa rastro de destruição e suspende aulas em Campo Grande
Meio Ambiente

Temporal deixa rastro de destruição e suspende aulas em Campo Grande

Instituto Homem Pantaneiro abre vagas para brigadistas na Serra do Amolar
meio ambiente

Instituto Homem Pantaneiro abre vagas para brigadistas na Serra do Amolar

Estudo propõe 27 medidas para orientar decisões sobre o Pantanal
Meio Ambiente

Estudo propõe 27 medidas para orientar decisões sobre o Pantanal

Após calor de 40°C, Corumbá começa a sentir virada no tempo
Tempo

Após calor de 40°C, Corumbá começa a sentir virada no tempo

Rio Paraguai entra em vazante dentro da normalidade em Ladário
Natureza

Rio Paraguai entra em vazante dentro da normalidade em Ladário

Corumbá é 4º município com mais registros de araras-azuis no Big Day
Natureza

Corumbá é 4º município com mais registros de araras-azuis no Big Day

MPF aciona Justiça para criar comitê de proteção às águas do Pantanal
Meio Ambiente

MPF aciona Justiça para criar comitê de proteção às águas do Pantanal

Mais Lidas

Locais de votação em Corumbá e Ladário sofrem alterações
Eleições

Locais de votação em Corumbá e Ladário sofrem alterações

Diretor da LHG Mining detalha ações para atender demandas históricas em Corumbá
Meio Ambiente

Diretor da LHG Mining detalha ações para atender demandas históricas em Corumbá

1ª Cãominhada do Projeto Amigo Cão é neste domingo no Porto Geral
Programação

1ª Cãominhada do Projeto Amigo Cão é neste domingo no Porto Geral

Força Tática desarticula ponto de tráfico e prende dois foragidos em Corumbá
Polícia

Força Tática desarticula ponto de tráfico e prende dois foragidos em Corumbá