Sábado, 01 de Agosto de 2026
Polícia

Buxexa do Amaral faz live na Delegacia Regional e é preso por desacato

01 ago 2026 - 09h45   atualizado às 12h37

Gesiane S. Lourenço

Buxexa do Amaral faz live na Delegacia Regional e é preso por desacato Buxexa do Amaral, ex-vereador de Corumbá. (Foto: Arquivo/Capital do Pantanal)

O ex-vereador de Corumbá, Augusto do Amaral, mais conhecido como Buxexa do Amaral, foi preso na tarde desta sexta-feira, 31 de julho, após realizar uma transmissão ao vivo nas redes sociais de dentro do prédio da Delegacia Regional de Corumbá. Nas imagens gravadas, o ex-parlamentar afirma que foi ao local para realizar um protocolo documental. No entanto, antes de chegar à sala de registro, ele passa a apontar falhas na estrutura física do prédio público, alegando que o local está sucateado, exposto a riscos de acidentes elétricos e sem servidores para o atendimento ao público. Buxexa permanece detido no Distrito Policial sob a principal acusação de desacato e aguarda a audiência de custódia, que por lei deve ocorrer em até 24 horas. Assista o vídeo.

A confusão aumentou no segundo andar da delegacia, onde o ex-parlamentar abria portas de gabinetes e falava em tom alto. O delegado regional, Dr. Fabrício Dias dos Santos, interveio no local e pediu cautela ao cidadão. No vídeo, é possível observar que a autoridade policial tenta, por diversas vezes, acalmar o ex-vereador e explicar os horários de funcionamento do órgão, mas Buxexa continua insistindo que o local estava vazio e que possuía um documento urgente para protocolar. O Dr. Fabrício lembrou Buxexa que já havia conversado com ele anteriormente, fora das câmeras, sobre todos os pontos que estavam sendo questionados na live.

Em determinado momento, o delegado, que foi surpreendido durante o seu horário de almoço, chegou a se prontificar a realizar ele mesmo o protocolo do documento levado por Buxexa. O ex-vereador, contudo, questionou a disponibilidade da autoridade, afirmando que aquela tarefa não competia às atribuições de um delegado, que alertou o ex-parlamentar para que não tentasse lhe ensinar como exercer suas funções.

Antes de encerrar a transmissão, Buxexa repetiu críticas à infraestrutura do prédio, conversou com usuários que aguardavam atendimento no setor de identificação civil e desferiu palavras de baixo calão contra o governador Eduardo Riedel. Na transmissão, o ex-parlamentar comparou o chefe do Executivo estadual com excremento e afirmou que ele seria um político "fabricado" pelo ex-governador Reinaldo Azambuja.

Lives polêmicas

Nos últimos dias, Buxexa do Amaral vinha utilizando suas redes sociais de forma recorrente para questionar o trabalho das forças de segurança em Corumbá. Em uma das postagens mais polêmicas, ele questionou o destino das "30 toneladas de cocaína líquida que teriam ficado apreendidas no pátio da Agesa". Assista o vídeo.

A fala faz referência a uma grande operação realizada em conjunto com a Receita Federal na fronteira de Corumbá com a Bolívia, que reteve um carregamento de madeira, em 21 de junho, sob a suspeita de tráfico internacional de cocaína em estado líquido. O caso ganhou ampla repercussão na imprensa local como uma das maiores apreensões recentes da região, porém, após a realização de perícias técnicas da Polícia Federal, foi constatada a total inexistência da droga no material.

Apesar do laudo oficial, em uma live transmitida no dia 28 de julho, Buxexa sugeriu que o entorpecente havia sumido de dentro do pátio da Agesa e cobrou publicamente uma fiscalização por parte da Corregedoria da Justiça Federal. Em suas declarações, o ex-político insinuou que as toras de madeira — que teriam sido identificadas inicialmente por cães farejadores com resquícios de nitrato de cocaína — foram substituídas dentro do pátio da Agesa. Ele concluiu afirmando que toda a suposta ação criminosa poderia ser comprovada por câmeras de monitoramento, mas alegou que os administradores do pátio logístico já poderiam ter apagado as imagens do circuito interno.

Em outra live polêmica, no dia 18 de julho, Buxexa questiona as mortes em operações policiais ocorridas após o caso de homicídio do Policial Militar Marcelo Pimenta. Desde a execução do policial, já são sete mortes registradas em ações policiais. Buxexa afirma no vídeo que as mortes são na verdade uma "chacina planejada pela cúpula da segurança pública no Mato Grosso do Sul, que promoveu execuções sumárias". Amaral mensiona a morte de dois bolivianos e quatro brasileiros no inicio de julho. Assista o vídeo.

Sobre Buxexa Amaral

A trajetória de Buxexa do Amaral é marcada por uma transição turbulenta entre a atuação no legislativo de Corumbá e frequentes problemas com a justiça. Eleito vereador para o mandato de 2013 a 2016, Buxexa adotou um perfil de forte enfrentamento no plenário, mas viu sua carreira parlamentar ser abalada por excessos de conduta. O episódio mais grave de seu mandato ocorreu quando ele ameaçou a então diretora da Agência Municipal de Trânsito e Transporte (Agetrat) após receber uma multa de trânsito, o que resultou em um processo criminal e em seu afastamento do cargo por 75 dias, determinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Após deixar a Câmara Municipal, ele passou a utilizar as redes sociais de forma intensa para publicar denúncias contra a gestão municipal, mantendo-se como uma figura polêmica nos bastidores locais.

Nos anos seguintes, a vida pública do ex-vereador foi progressivamente obscurecida por ocorrências policiais de grande repercussão. Em 2022, Buxexa virou alvo de uma denúncia da Secretaria Municipal de Saúde após protagonizar um episódio inusitado, no qual furtou um frasco inteiro de vacina contra a Covid-19 de um posto de saúde local durante um momento de distração das enfermeiras. Já no ano de 2023, o ex-político foi parar nos jornais devido a um grave conflito familiar na residência de parentes, onde acabou esfaqueado no rosto pela própria irmã e precisou ser internado na Santa Casa de Corumbá.

O ápice dessa sequência de incidentes ocorreu recentemente, na tarde deste 31 de julho, quando o ex-parlamentar acabou preso em flagrante por desacato pela Polícia Militar enquanto realizava uma transmissão de vídeo ao vivo nas ruas da cidade, sendo conduzido ao Distrito Policial de Corumbá sob a coordenação da Delegacia Regional.

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