Araras azuis em árvore.
(Foto: Matheus Jara)
Nos dias 1 e 2 de agosto, Mato Grosso do Sul transformou-se no epicentro de uma grande rede de monitoramento ambiental durante a segunda edição do Big Day das Araras Azuis. Organizada pelo Instituto Arara Azul, a iniciativa convocou moradores, turistas e observadores de aves do estado a direcionarem seus olhos e ouvidos para a natureza. O objetivo foi registrar o maior número possível de araras-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), a maior espécie de arara do planeta. A ação, que também se estendeu por outras regiões de ocorrência da ave no Brasil, na Bolívia e no Paraguai, aposta na ciência cidadã para reescrever a história da conservação da biodiversidade.
A mobilização em Mato Grosso do Sul ganha um peso especial devido ao histórico do estado na preservação da espécie. Na primeira edição do evento, realizada em 2025, a região liderou a contagem nacional com o registro expressivo de 409 aves. Para este ano, diversas equipes se espalharam por solo sul-matogrossense com a missão de atualizar as áreas de avistamento e monitorar os bandos. Embora o ranking final desta edição ainda não tenha sido revelado, o engajamento local reforça o papel estratégico do estado, que abriga o Pantanal, um dos principais refúgios naturais desses animais.
À frente da coordenação da iniciativa estão a médica-veterinária Maria Eduarda Monteiro, coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, e Fernanda Fontoura, gestora operacional de projetos do Instituto Arara Azul. Segundo Maria Eduarda, o Big Day vai muito além de um censo numérico. A ação funciona como uma ferramenta essencial de conservação, pois os dados coletados ajudam a mapear de forma precisa a distribuição geográfica das aves, além de aproximar diretamente a comunidade local das pautas de proteção ambiental.
A bióloga Fernanda Fontoura saiu de Campo Grande (MS) e fez o trecho Palmeiras, Piraputanga e Camisão, em busca das araras-azuis. E ela também não foi sozinha, foi acompanhada de um grupo de amigos composto por empresária rural, escritor, acadêmicos, biólogas e turismóloga, reforçando que não precisa ser especialista para participar do Big Day das Araras Azuis e que todo mundo pode contribuir para conservação da biodiversidade.
“O Big Day é feito não só de araras, mas principalmente de gente. Acho que isso é o principal. E de gente que está disposta a trabalhar para um futuro melhor, né? Porque, na verdade, esses dados, eles vêm também para auxiliar em tomadas de decisões, nessa atualização de números de indivíduos, enfim. Isso vai trazer muita coisa boa em termos de conservação da biodiversidade”, reforça a gestora operacional de projetos.
Os dados coletados no início do mês ainda estão em fase de consolidação, e o resultado oficial deve ser divulgado pelo Instituto Arara Azul até o final de agosto de 2026. Contudo, o balanço preliminar já aponta que a campanha superou as expectativas organizacionais. Além do forte engajamento em Mato Grosso do Sul, a rede expandiu suas fronteiras e detectou a presença das aves em novas localidades pelo país, incluindo registros inéditos no Tocantins e um aumento de avistamentos em Goiás e no Pará.
No Jalapão, uma expedição do Instituto Mamede ao confirmou a presença inédita da arara-azul no Tocantins, preenchendo lacunas de registros anteriores. No entanto, a equipe localizou apenas cinco indivíduos, um número inferior ao de 2019, o que reforça a necessidade de ampliar estudos para a proteção da espécie, que retornou à lista oficial de animais ameaçados de extinção no Brasil.
Para a organização do Big Day, independentemente dos números finais por estado, a verdadeira vitória da ação reside no poder de mobilização social em prol da fauna sul-americana.
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