Estudantes participam do plantio em agroflorestas de escolas pantaneiras.
(Foto: Instituto Homem Pantaneiro (IHP))
Uma iniciativa que une educação, conservação ambiental e produção de alimentos está transformando espaços em comunidades tradicionais do Alto Pantanal. O projeto desenvolvido pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), em parceria com o Instituto PHI e o programa socioambiental ADM Cares, implantou Sistemas Agroflorestais (SAFs) em escolas rurais das comunidades Paraguai Mirim e São Lourenço/Aterro do Binega.
A ação resultou no plantio de 2.090 mudas de espécies alimentares e frutíferas, criando áreas de cultivo que passam a contribuir com a alimentação das comunidades escolares e também com atividades pedagógicas envolvendo estudantes e professores. O trabalho começou em janeiro e alcançou as metas previstas de execução em maio, com participação de equipes técnicas e moradores locais.
Para que os materiais e mudas chegassem às unidades de ensino, foi necessária uma operação logística pelo rio Paraguai. Os equipamentos saíram de Corumbá e percorreram trajetos de até 200 quilômetros rio acima até as escolas atendidas. A preparação dos espaços contou com o envolvimento das comunidades e apoio da Brigada Alto Pantanal, responsável por ações como cercamento das áreas, organização dos canteiros e estruturação da irrigação.
“O resultado vai muito além do plantio. Conseguimos atuar em uma rede que integrou a comunidade, brigadistas e técnicos. Foi possível envolver a participação direta de alunos, professores, o que avaliamos que gera um valor ainda maior para o que está sendo feito, com pertencimento. E agora, há o cuidado dessas agroflorestas para gerar alimentos para atender a comunidade da escola”, destacou o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.
Na Escola Municipal Paraguai Mirim, a iniciativa foi construída a partir de uma experiência que já existia na própria comunidade. Em vez de implantar uma estrutura pronta, a equipe técnica fortaleceu o espaço com novos recursos, orientações e mudas, ampliando a produção. Atualmente, o local reúne bananeiras, milho, girassol e hortaliças integradas ao sistema agroflorestal.
A participação comunitária também foi um dos resultados registrados pelo projeto. Ao todo, 56 pessoas estiveram envolvidas diretamente na implantação, realizada no primeiro semestre de 2026, alcançando mais de 93% da meta de mobilização prevista. Além disso, foram identificadas 11 espécies diferentes de plantas alimentares e frutíferas cultivadas nas áreas implantadas.
Além das escolas, a iniciativa também avançou para ações de recuperação ambiental na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal, localizada na Serra do Amolar, no Alto Pantanal. A região foi atingida por incêndios florestais em 2020 e 2024 e passou a receber medidas voltadas à restauração ecológica.
No local, houve acompanhamento técnico das áreas em recuperação, manejo de espécies exóticas e replantio de 35 mudas nativas para recompor pontos afetados. O viveiro mantido na reserva, responsável pela produção de espécies destinadas à restauração, também passou por melhorias estruturais.
Com a chegada e capacitação de um novo viveirista pelo IHP, foram realizadas a seleção de sementes e testes de germinação de espécies nativas do Pantanal. Ao todo, 17 espécies foram semeadas em 486 tubetes, garantindo a produção de novas mudas para futuras etapas de recuperação do bioma.
*Com informações da assessoria de comunicação do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
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