Suspeito preso na Operação Jacadigo da Polícia Civil em Corumbá.
(Foto: Divulgação/PCMS)
Uma grande ação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta sexta-feira, 31 de julho, resultou no desmantelamento de uma associação criminosa envolvida no desaparecimento e provável execução de Kelvin Anunciação Saavedra Alves de Lima. Batizada de Operação Jacadigo, a ofensiva cumpriu cinco mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão. Os alvos foram localizados em diferentes bairros de Corumbá e também na cidade vizinha de Ladário.
Kelvin desapareceu no fim da manhã de 26 de março, por volta das 11h50, após sair de casa vestindo camisa vinho, short de moletom cinza e botinas pretas. Ele havia dito à família que iria trabalhar, mas nunca chegou ao destino e ficou incomunicável desde então. A partir do registro do desaparecimento, a 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá iniciou as investigações e descobriu uma trama violenta motivada por vingança. De acordo com a polícia, os criminosos suspeitavam que a vítima estivesse relacionada ao furto de uma carga de entorpecentes.
Os suspeitos capturados foram identificados como Indy Fábio Souza Bobadilha (conhecido como “Indy” ou “Magrinho”), Jefferson Ojeda Soares (conhecido como “Ojeda”), Kauan Gustavo da Silva Lago (conhecido como “HB20”), Sinval Santos Alves (conhecido como “Zinho”) e Flávio Bobadilha.
Dinâmica do Crime e Articulação Internacional
Conforme detalhado ao Campo Grande News pelo delegado Fillipe Araújo Izidio Pereira, responsável pelo caso, Kelvin teria caido em uma emboscada. De acordo com as investigações, ele teria sido sequestrado em Corumbá, mantido em cárcere privado e submetido a sessões de tortura. Na sequência, os captores teriam o transportado ilegalmente cruzando a fronteira em direção à Bolívia. Há fortes indícios de que os suspeitos sabiam que a vítima seria entregue a executores no país vizinho para ser morta.
Por se tratar de um crime transnacional, as competências jurídicas foram divididas. A Polícia Civil do Brasil concentrará os trabalhos nos crimes cometidos dentro do território nacional — sequestro, cárcere privado e tortura —, além de apurar a coautoria dos investigados no assassinato. Já as investigações sobre quem desferiu os golpes fatais e ocultou o cadáver cabem unicamente às autoridades bolivianas.
Para viabilizar as buscas pelo corpo e identificar o restante da quadrilha, o Consulado-Geral do Brasil em Puerto Quijarro já foi formalmente comunicado para notificar a polícia da Bolívia. No lado brasileiro, a operação contou com um forte aparato policial, mobilizando equipes de Ladário, da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), da DAIJI, além do apoio especializado do Garras e da 1ª DP de Aquidauana. Quatro veículos foram apreendidos e passam por perícia técnica em busca de vestígios de DNA e outras evidências materiais.
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