Sexta-feira, 27 de Março de 2026
Reivindicação

Vídeo mostra situação de isolamento no Corixo Gonçalinho

27 mar 2026 - 10h10   atualizado às 11h34

Gesiane Sousa

Vídeo mostra situação de isolamento no Corixo Gonçalinho Boca do corixo Gonçalinho totalmente obstruída por vegetações. (Foto: Reprodução)

Ribeirinhos residentes e empreendedores do ramo hoteleiro no povoado de Porto Morrinho, em Corumbá, relatam mais uma vez a situação de isolamento que seguem enfrentando desde o inicio do ano. Em fevereiro, após a abertura do período da pesca esportiva na calha do rio Paraguai, o Capital do Pantanal retratou a cobrança deles pela desobstrução do Corixo Gonçalinho. Eles defendem que o Corixo é essencial para sobreviência da comunidade local, que geralmente usam os barcos como único meio de transporte, além disso, com o braço do rio bloqueado por vegetações aquáticas, as pousadas pesqueiras, que nessa época do ano, recebem centenas de turistas, amarguram vazias, acumulando gastos e prejuízos. 

Incomodado com a falta de solução, Celso Sebastião Vieira, proprietádio da Pousada Sonho Meu, decidiu pegar seu barco de pequeno porte e navegar até as duas entredas do Corixo para registrar em vídeo, a atual situação no braço do rio Paraguai. Os vídeos gravados em 16 de março mostram uma vegetação aquática densa cobrindo quase que toda a superfície da água. Na gravação, Celso ressalta que neste ano a cheia está favorável e que o atual nível de água no Corixo permitiria o serviço de desobstrução.  

"Nas beiradas do Corixo, parte onde é mais rasa, a água possui 1,5 m de profundidade, daria para a mesma barcaça que veio no ano passado fazer a remoção dos camalotes, deixando pelo menos a entrada e saída navegável, isso já ajudaria muito. Aqui na parte de cima, entrada principal do corixo, onde passava a balça antigamente, antes da construção da ponte, meu limite fica a mil metros do leito principal do rio, depois disso já não consigo navegar por conta da 'sujeira', possui muito mato, guapé, cipós...", detalha Celso.

Essencial para sobrevivência de seu negócio, com as entradas do corixo bloqueadas por camalotes, Celso explica que não tem como trabalhar. "O turista que que procura nosso hotel, quer viver uma experiência de pesca no Pantanal, porém com o corixo do jeito que está não conseguimos oferecer isso á eles. A temporada de pesca, na modalidade pesque e solte, está aberta desde 1º de fevereiro na calha do rio Paraguai, e nós estamos sem perdendo dinheiro, sem poder trabalhar", pontua Celso.

Celso reforça que a situação é urgente, "com a previsão que o DNIT nos deu de iniciar a desobstrução dos canais somente a patir de maio, vamos perder muitas oportnidades. Somos geradores de renda e emprego na região, mas sem o Corixo desobstruído não consguimos cumprir nosso papel".

Em nota, na época da matéria veiculada em fevereiro, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), prestou esclarecimentos e pontuou que aguarda a elevação de nível do rio Paraguai para realizar a campanha anual de desobstrução aquática.  Segundo o órgão federal, a régua de Ladário ainda estava consideravelmente abaixo (108 cm no final de fevereiro) da mediana para o período e fora da zona de normalidade histórica. O departamento explica que é necessário aguardar a elevação dos níveis do rio, estimando que seu pico na região neste ano seja atingido entre maio e julho. Atualmente a régua de Ladário marca 1,71 m.

"A campanha de desobstrução de vegetação aquática na região está prevista para ser realizada a partir de maio do ano corrente, podendo ter seu início antecipado em caso de elevação suficiente dos níveis de água ou suspenso em caso de não atingimento de calado suficiente para acesso da embarcação apropriada".

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