Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026
Meio Ambiente

Apesar de queda no Pantanal, Corumbá lidera ranking nacional de queimadas

21 jul 2026 - 15h41   atualizado às 15h56

Gesiane S. Lourenço

Apesar de queda no Pantanal, Corumbá lidera ranking nacional de queimadas Serra do Amolar aparece um dos locais extremamente sensíveis que registram incêndios ao longo do ano. (Foto: Arquivo/Divulgação/IHP)

O Pantanal registrou, em 2025, a menor extensão territorial atingida pelo fogo desde o início do monitoramento, há 41 anos. Os dados constam na segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado nesta terça-feira, 21 de julho, pelo MapBiomas. O levantamento aponta que a queda interrompe uma sequência recente de expansão das chamas e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada.

O Pantanal teve 121 mil hectares queimados, o que representa uma redução drástica de 85,6% em relação à média histórica do bioma. Essa foi a maior queda proporcional registrada entre todas as regiões brasileiras. Apesar do recuo geral expressivo, o cenário exige cautela e atenção contínuas, pois áreas extremamente sensíveis e ecológicas, como a Serra do Amolar, continuaram registrando incêndios ao longo do ano.

O resultado positivo contrasta com o histórico de Corumbá, município que concentra grande parte do Pantanal sul-mato-grossense. A cidade segue no topo do ranking nacional de território mais devastado pelo fogo acumulado desde 1985, liderando a lista ao lado de São Félix do Xingu, no Pará. Além disso, a severidade do fogo no Pantanal preocupa: metade ou mais da vegetação atingida apresenta intensidade alta ou muito alta, causando danos muito mais profundos e graves do que a média do resto do país.

Outro dado alarmante revela que mais de 80% de toda a área queimada historicamente no Pantanal atingiu vegetação nativa, padrão também observado no Cerrado. O comportamento difere totalmente da Amazônia e da Mata Atlântica, onde o fogo se concentra majoritariamente em áreas modificadas pela ação humana, como pastagens de agropecuária.

Cenário nacional e o Cerrado

No panorama nacional, as queimadas caíram de forma expressiva. Em todo o Brasil, 12,7 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo — um total 31% abaixo da média histórica anual e quase a metade da área registrada no ano anterior. Essa redução geral foi impulsionada pela Amazônia, que despencou de 15,8 milhões de hectares queimados para 3,1 milhões de hectares, o menor resultado já visto em sua série histórica.

Por outro lado, o Cerrado manteve o posto de bioma mais atingido do país, com 8,7 milhões de hectares queimados. A região também lidera em recorrência: desde 1985, cerca de 66% de tudo o que queimou no Cerrado foi atingido mais de uma vez. Especialistas alertam que, embora o fogo faça parte da dinâmica natural daquele ecossistema, a frequência e a extensão atuais superam a capacidade de recuperação da vegetação, elevando os riscos de perda severa de biodiversidade e degradação ambiental.

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