Serra do Amolar aparece um dos locais extremamente sensíveis que registram incêndios ao longo do ano.
(Foto: Arquivo/Divulgação/IHP)
O Pantanal registrou, em 2025, a menor extensão territorial atingida pelo fogo desde o início do monitoramento, há 41 anos. Os dados constam na segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado nesta terça-feira, 21 de julho, pelo MapBiomas. O levantamento aponta que a queda interrompe uma sequência recente de expansão das chamas e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada.
O Pantanal teve 121 mil hectares queimados, o que representa uma redução drástica de 85,6% em relação à média histórica do bioma. Essa foi a maior queda proporcional registrada entre todas as regiões brasileiras. Apesar do recuo geral expressivo, o cenário exige cautela e atenção contínuas, pois áreas extremamente sensíveis e ecológicas, como a Serra do Amolar, continuaram registrando incêndios ao longo do ano.
O resultado positivo contrasta com o histórico de Corumbá, município que concentra grande parte do Pantanal sul-mato-grossense. A cidade segue no topo do ranking nacional de território mais devastado pelo fogo acumulado desde 1985, liderando a lista ao lado de São Félix do Xingu, no Pará. Além disso, a severidade do fogo no Pantanal preocupa: metade ou mais da vegetação atingida apresenta intensidade alta ou muito alta, causando danos muito mais profundos e graves do que a média do resto do país.
Outro dado alarmante revela que mais de 80% de toda a área queimada historicamente no Pantanal atingiu vegetação nativa, padrão também observado no Cerrado. O comportamento difere totalmente da Amazônia e da Mata Atlântica, onde o fogo se concentra majoritariamente em áreas modificadas pela ação humana, como pastagens de agropecuária.
Cenário nacional e o Cerrado
No panorama nacional, as queimadas caíram de forma expressiva. Em todo o Brasil, 12,7 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo — um total 31% abaixo da média histórica anual e quase a metade da área registrada no ano anterior. Essa redução geral foi impulsionada pela Amazônia, que despencou de 15,8 milhões de hectares queimados para 3,1 milhões de hectares, o menor resultado já visto em sua série histórica.
Por outro lado, o Cerrado manteve o posto de bioma mais atingido do país, com 8,7 milhões de hectares queimados. A região também lidera em recorrência: desde 1985, cerca de 66% de tudo o que queimou no Cerrado foi atingido mais de uma vez. Especialistas alertam que, embora o fogo faça parte da dinâmica natural daquele ecossistema, a frequência e a extensão atuais superam a capacidade de recuperação da vegetação, elevando os riscos de perda severa de biodiversidade e degradação ambiental.
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