Bombeiros combatem incêndios no Pantanal de MS.
(Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo)
O avanço dos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul acendeu o sinal de alerta para a urgência de ações permanentes de monitoramento e fiscalização. Dados recentes apontam um aumento expressivo e alarmante da área destruída pelo fogo no Pantanal sul-mato-grossense. Entre 10 de janeiro e 16 de agosto de 2025, o bioma registrou 21.935,60 hectares queimados. No mesmo período deste ano, entre 7 de janeiro e 18 de agosto de 2026, a destruição saltou para 90.719,60 hectares — um número mais de quatro vezes superior ao registrado no ano anterior.
Para enfrentar a crise agravada por fatores como estiagem prolongada, altas temperaturas e baixa umidade, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) tem intensificado as ações do programa Pantanal em Alerta. A iniciativa utiliza análise geoespacial e imagens de satélite para rastrear focos de calor em tempo quase real. Essas informações estratégicas mapeiam propriedades prioritárias com base em dados históricos de reincidência desde 2020 e proximidade com Unidades de Conservação, sendo compartilhadas diretamente com fazendeiros, brigadistas e equipes de campo para abafar as chamas ainda em estágio inicial.
Um dos pilares do programa é uma plataforma digital inovadora, desenvolvida em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), que permite a participação direta da população. Qualquer cidadão pode se cadastrar no sistema e indicar uma área de interesse para monitorar. Caso um foco de incêndio seja detectado nas proximidades da região escolhida, o usuário recebe um alerta imediato por e-mail ou mensagem no celular, agilizando a comunicação de emergências e a mobilização comunitária.
A estratégia também foca no rigor da lei e na punição. Por meio de uma rede integrada que envolve o Imasul, Polícia Militar Ambiental (PMA), Ibama, Sejusp e a Perícia Criminal, o Pantanal em Alerta cruza dados tecnológicos para produzir laudos técnicos irrefutáveis. O objetivo é descobrir a origem exata do fogo, identificar causas humanas e subsidiar autuações criminais e cíveis por queimadas ilegais. Unindo tecnologia e inteligência, o programa atua para frear o desastre e preservar um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
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