Imagem aérea realizada da aeronave empregada na missão.
(Foto: Divulgação/DLR
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Uma força-tarefa científica internacional cruzará os céus do Pantanal, da Amazônia e do Cerrado até dezembro de 2026 para mapear detalhadamente as emissões de dióxido de carbono e metano, os principais gases responsáveis pelo efeito estufa. Batizada de CoMet 3.0 Tropics, a missão conta com o trabalho de 120 pesquisadores de dez países — incluindo Brasil, Alemanha, Estados Unidos e França — focados em entender os impactos climáticos reais nos trópicos úmidos, conforme informações publicadas pelo site Correio do Estado.
O trabalho de campo ganhou fôlego renovado após o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) publicar uma nova portaria autorizando formalmente a permanência e atuação dos cientistas estrangeiros em território nacional até 20 de dezembro. O documento, assinado pelo presidente do órgão, Olival Freire Junior, conta com anuência prévia do Conselho de Defesa Nacional (CDN) para sobrevoos estratégicos nas bacias do Pantanal e do Sul da Amazônia.
A coordenação científica da missão está a cargo do Dr. Dirceu Luis Herdies, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em cooperação direta com o Dr. Andreas Fix, do Centro Espacial Alemão (DLR).
Tecnologia de ponta a 15 mil metros de altura
A grande estrela da operação é a aeronave Halo (High Altitude and Long Range Research Aircraft), um modelo Gulfstream G550 modificado e operado pelo DLR que chegou ao país em 25 de julho. Sediado em Cuiabá (MT), o avião-laboratório é capaz de voar desde altitudes baixas, de 850 metros, até o limite da troposfera, a 15 mil metros de altura.
O Halo está equipado com a tecnologia Lidar (Light Detection and Ranging), que emite pulsos de laser para medir com extrema precisão a concentração de gases, além de sensores remotos avançados para caracterizar as massas de ar. No primeiro voo de teste pelo Pantanal, que durou oito horas, os sensores já detectaram sinais fortes de metano (CH4). De acordo com Herdies, esse monitoramento direto permitirá avaliar como ocorrem as emissões naturais de áreas úmidas e compará-las com as fontes geradas pela ação humana (antropogênicas).
Cruzamento de dados e impactos do El Niño
O monitoramento ocorre em um momento crucial, já que há previsão de que os efeitos do fenômeno climático El Niño estejam mais acentuados na região pantaneira e amazônica no segundo semestre. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), os dados gerados pela aeronave vão cobrir lacunas de informações de outros sistemas de observação da Terra, servindo para calibrar instrumentos e corrigir incertezas em modelos de computador globais.
Cada bioma terá um foco específico de estudo, conforme explica o professor da USP e pesquisador Luiz Machado: o Pantanal será analisado pelas emissões de metano em áreas alagadas; a Amazônia será monitorada pelo seu papel vital no balanço global de carbono; e o Cerrado terá as atenções voltadas para o impacto dos gases liberados pelas queimadas. Esta é a terceira vez que o modelo Halo opera no país, tendo participado anteriormente das campanhas Acridicon-Chuva (2014) e Cafe-Brazil (2022-2023).
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