Mineração em Corumbá.
(Foto: Leonardo Amaral/PMC)
A busca da holding J&F por um parceiro estratégico para a LHG Mining pode inaugurar um novo e robusto capítulo na economia de Mato Grosso do Sul. Caso o processo competitivo em andamento seja concretizado, o complexo mineral de Corumbá passará pelo seu quinto ciclo societário em pouco mais de meio século de história. Conforme apurações Correio do Estado, a movimentação para negociar parte das ações da mineradora agitou os bastidores do mercado financeiro nas últimas duas semanas, com estimativas de que a empresa seja avaliada em mais de R$ 20,468 bilhões (cerca de US$ 4 bilhões).
Diferente das transições do passado, os irmãos Joesley e Wesley Batista descartaram a venda integral da operação, adquirida por eles há apenas quatro anos. A estratégia atual da J&F foca na atração de um sócio minoritário com capacidade para dividir os aportes necessários para o plano de expansão do complexo. A meta do grupo é saltar de uma produção de 2,5 milhões de toneladas para até 15 milhões de toneladas anuais de minério de ferro de alto teor, projeto que exige investimentos de aproximadamente R$ 4 bilhões.
A trajetória do ativo em Corumbá reflete a própria evolução da indústria mineral brasileira. Conforme detalhado pelo Correio do Estado, a mineração moderna na região teve início em 1974 com a criação da Mineração Corumbaense Reunida (MCR), controlada originalmente pelo empresário Elísio Curvo e pelo Grupo Tragtenberg com foco regional na extração de manganês. O cenário mudou em 1991, com a internacionalização promovida pela anglo-australiana Rio Tinto. Em 2009, a mineradora Vale assumiu o controle das jazidas locais para ampliar sua oferta global de minério de ferro de alto teor, integrando as operações com a Hidrovia Paraguai-Paraná.
O quarto ciclo começou recentemente, em 2022, quando a Vale reposicionou suas prioridades globais e vendeu o chamado Sistema Centro-Oeste para a J&F por US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,48 bilhões na época), marcando a estreia da holding de proteína animal no setor de mineração sob a bandeira da LHG Mining. Nas tratativas recentes para este novo ciclo, o nome da própria Vale chegou a ser associado como potencial compradora, mas a mineradora declarou ter descartado o investimento. A J&F reafirmou que as negociações seguem em sigilo com outros players do mercado interessados no potencial logístico e na qualidade mineral da rota pantaneira.
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