Aprovados no concurso reunidos em auditório na cerimônia de inicio do curso de formação em janeiro de 2026.
(Foto: PCMS)
Em Corumbá, pelo menos oito aprovados no concurso da Polícia Civil que concluíram o curso na Academia de Polícia Civil (Acadepol) em junho de 2026 procuraram o Capital do Pantanal. Eles cobram a nomeação para os cargos da segurança pública do Estado.
Entre os afetados estão José Nunes Moraes e Arnaldo Monteiro. Ambos finalizaram a formação em 12 de junho, mas seguem desempregados. José Nunes explica que pediu demissão do antigo emprego para se dedicar ao curso de formação. Ele explica que recebeu uma ajuda de custo referente ao período de formação e acreditava que a nomeação seria imediata após a formatura. A realidade, porém, tem sido bem diferente.
O aprovado relata que suas economias acabaram e que está difícil manter a casa apenas com a renda da esposa. “Eu sou um dos muitos que pediram demissão para participar do curso. Como concluímos as etapas em 12 de junho, recebemos apenas R$ 1.700,00 referentes à bolsa daquele mês. Estamos passando por dificuldades porque as contas não param de chegar. Não consegui outro emprego e está quase impossível honrar as despesas. Como pai e marido, fico desesperado diante dessa situação e do descaso com quase 500 formandos que enfrentam o mesmo problema. Seguimos tentando sobreviver com trabalhos temporários, fazendo um bico atrás do outro”, desabafa.
Enfrentando as mesmas dificuldades financeiras, Arnaldo Monteiro chama a atenção para outro problema grave: o déficit de pessoal na Polícia Civil em Corumbá. Ele lembra que a falta de policiais na cidade é antiga e reforça que a segurança pública da região fronteiriça precisa urgentemente do reforço dos novos formandos.
A formatura de 447 novos policiais civis — sendo 330 investigadores e 117 escrivães — ocorreu em 12 de junho deste ano. No último dia 15, em reunião com o Sinpol (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul), o governador Eduardo Riedel afirmou que a nomeação dos novos agentes deve ficar apenas para 2027.
Ao Capital do Pantanal, a assessoria de comunicação do governo estadual respondeu que o adiamento das nomeações tem base legal na Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000). O Executivo citou o artigo 21, incisos II e IV, que veda ao Poder Executivo realizar ato que resulte em aumento de despesa com pessoal nos 180 dias anteriores ao final do mandato do titular do Poder.
A notícia frustrou a expectativa do Sinpol que, assim como os candidatos aprovados de Corumbá, mantinha a esperança de que as nomeações ocorressem ainda em 2026. Em nota à imprensa, o sindicato informou que continuará as negociações com o Governo do Estado e com a Assembleia Legislativa para tentar antecipar o cronograma.
Para o aprovado Arnaldo Monteiro, a homologação do concurso em 19 de junho — data anterior ao período de vedação — deveria ser suficiente para garantir a nomeação imediata dos formandos. Ele defende que a medida encontra respaldo nas exceções da própria legislação e que não há impedimento jurídico decorrente do calendário eleitoral, desde que o Poder Executivo observe os demais requisitos administrativos e orçamentários.
O Capital do Pantanal questionou a assessoria do governo sobre o argumento jurídico apresentado pelo formando de Corumbá, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
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