Bombeiros combatem incêndios no Pantanal de MS.
(Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo)
O Pantanal de Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário alarmante com a explosão dos índices de queimadas neste ano. Dados do Informativo do Centro Integrado de Coordenação Estadual e Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (Cicoe-PEMIF) apontam que, entre 1º de janeiro e 15 de julho, a área devastada pelo fogo no bioma saltou de 6.762 hectares para impressionantes 58.878 hectares. O avanço representa um aumento de 770,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto os focos de calor na região mais que dobraram, subindo de 69 para 149 registros.
A escalada da destruição coincide com o agravamento das condições climáticas no Estado, impulsionadas pelo fenômeno El Niño. O monitoramento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) alerta que, entre esta sexta-feira e a próxima quinta-feira, uma nova onda de calor deve se consolidar na região. A previsão indica predomínio absoluto de sol, temperaturas máximas severas entre 34°C e 38°C e índices de umidade relativa do ar em patamares críticos, variando entre 10% e 30%, sem qualquer expectativa de chuva.
Curiosamente, o comportamento do fogo no Pantanal caminha na contramão dos demais biomas sul-mato-grossenses. No mesmo período, o Cerrado registrou uma queda de 44,5% na área queimada (recuando de 24.783 para 14.615 hectares) e os focos de calor caíram de 578 para 321. Na Mata Atlântica, a área atingida também encolheu 12,7%. No panorama geral do Estado, o Corpo de Bombeiros Militar computou uma redução de 16,7% no total de ocorrências em vegetação atendidas, somando 1.170 atendimentos contra os 1.405 registrados na temporada anterior.
Apesar da redução global, a crise concentrada no Pantanal exige mobilização permanente. Desde o início do ano, o Corpo de Bombeiros já empenhou 402 militares em frentes estratégicas de prevenção, preparação e combate direto às chamas na planície inundável. A preocupação das autoridades estende-se para o próximo trimestre; a previsão sazonal do Cemtec para o período entre agosto e outubro coloca a maior parte do território em nível de "Atenção" e "Alerta", sendo que as regiões pantaneira, norte e nordeste operam sob a classificação mais severa de "Alerta Alto" para incêndios florestais.
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