Ventos de até 70 km/h empurraram o fogo para o lado boliviano.
(Foto: Reprodução/G1 MS)
Um incêndio florestal de rápidas proporções que teve início na última quinta-feira, 16 de julho, na região de Forte Coimbra, em Corumbá, cruzou a fronteira internacional e avançou sobre o território boliviano. O avanço das chamas foi impulsionado por rajadas intensas de vento norte que atingiram o Pantanal sul-mato-grossense, forçando o fogo a romper os limites territoriais do Brasil. De acordo com o monitoramento por satélites do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), não restam focos ativos no lado brasileiro daquela localidade, concentrando-se a emergência agora no país vizinho.
O foco inicial do incêndio foi detectado na quinta-feira por meio de monitoramento da NASA e de equipes de guarda-parques, surgindo originalmente a cerca de 5,8 quilômetros de distância da divisa com a Bolívia. O fator determinante para a rápida propagação foram as condições climáticas severas da região pantaneira na sexta-feira, dia 17, quando os ventos registraram velocidades extremas de até 70 quilômetros por hora.
Com a força das rajadas, o incêndio saltou a linha divisória e atingiu diretamente a Área de Manejo Integrado Otuquis, uma importante unidade de conservação ambiental boliviana localizada no município de Puerto Suárez, nas proximidades da comunidade Triángulo Foianini. Imagens de satélite e vídeos gravados por moradores locais registraram extensas colunas de fumaça subindo pela vegetação do Chaco-Pantanal, gerando alerta imediato para o risco à fauna silvestre.
Mobilização internacional e combate
O Serviço Nacional de Áreas Protegidas da Bolívia (Sernap) emitiu um relatório preliminar confirmando a presença de múltiplos focos ativos de calor ao longo da linha de fronteira. O acesso terrestre ao epicentro do incêndio é considerado de altíssima dificuldade devido às características geográficas isoladas do bioma, o que motivou o acionamento de apoio logístico urgente e reforço de efetivos. Além dos guarda-parques locais, destacamentos da Armada Boliviana foram deslocados para fazer o monitoramento em solo e dar início ao combate das chamas.
Perspectivas meteorológicas favoráveis
Apesar do cenário de alerta na área de conservação protegida, especialistas ambientais apontam para duas variáveis que podem auxiliar as equipes de brigadistas na contenção do fogo nas próximas horas:
- Redução dos ventos: Os modelos meteorológicos indicam uma melhora expressiva a partir deste domingo (19), quando a intensidade das rajadas de vento deve registrar uma queda acentuada na faixa de fronteira.
- Umidade da biomassa: Diferente de grandes secas históricas, a vegetação nativa do Pantanal nesta região específica ainda retém níveis elevados de umidade interna, um fator natural que ajuda a desacelerar o ritmo de propagação subterrânea e superficial do incêndio.
As autoridades ambientais de ambos os países continuam compartilhando dados de satélite em tempo real para acompanhar a evolução da linha de fogo e mitigar os impactos ecológicos na Tríplice Fronteira.
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