Desenho de bruxa na vassoura.
(Foto: IA/Internet)
Não vou citar nomes. Quem precisa saber, sabe.
Escrevo hoje não como mãe ferida, embora eu seja. Escrevo como dona de jornal, como cidadã de Corumbá e como alguém que acredita que a memória ambiental desta cidade importa.
Há alguns verões, quando ainda ocupava a cadeira de Secretária de Meio Ambiente aqui em Corumbá, uma bióloga, no exercício da função pública, teria assinado a anuência para o desmatamento de uma área de preservação ambiental.
O que chama a atenção, e que hoje é objeto de apuração pelo Ministério Público Estadual, é que essa autorização, em tese, teria sido concedida sem o devido Estudo e Relatório de Impacto Ambiental, o EIA/RIMA, que a nossa legislação exige. É o EIA/RIMA que nos diz o preço que a natureza vai pagar. Sem ele, não há licença, há atalho.
Na época, comentava-se nos bastidores que a pressa em liberar a área atendia a interesses políticos superiores, ligados ao governo do Estado. Se isso for comprovado, não estamos mais falando de um erro técnico. Estamos falando de improbidade, de crime ambiental previsto no art. 67 da Lei 9.605/98 e de quebra de decoro profissional.
Essa mesma servidora, hoje em cargo equivalente no município vizinho de Ladário, foi a mesma que, segundo relatos internos da própria secretaria, conduziu um processo de esvaziamento e constrangimento contra minha filha, também bióloga de formação.
Minha filha não saiu porque quis. Ela saiu porque não aguentou. Fragilizada com a morte recente do pai e do irmão, em luto, ela foi alvo de um ambiente hostil que a fez pedir exoneração. Não vou chamar de complô, a Justiça e Deus sabem o que foi. Vou chamar do que eu vi: minha filha adoecendo e pedindo para ir embora de um lugar que amava.
Escrevo isso e guardo tudo o que sei em arquivos e em memória.
Mas não escrevo por vingança. Escrevo por coerência.
Minha mãe, mulher simples de Corumbá, me ensinou duas frases que carrego como lei: "aqui se faz, aqui se paga" e "quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado dos outros".
Eu, como jornalista, sei o que foi feito no verão passado. E sei o que está sendo feito agora.
Por isso, não ataco, não exponho nome, não faço tribunal em rede social. Eu entrego nas mãos de Deus e nas mãos da Justiça. Porque a Justiça dos homens pode até demorar, mas a documentação fica. E a de Deus, essa não falha.
Que este texto sirva de alerta: a biologia não é carimbo para chancelar desmatamento. Cargo público não é instrumento de perseguição pessoal. E o meio ambiente de Corumbá não é moeda de troca. Como disse Mario Quintana: “eles passarão, eu passarinho”.
O tempo cobra. Sempre cobra.
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