Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Entrelinhas Sylma

Quem paga a conta da justiça?

29 nov 2025 - 13h28   atualizado em 03/03/2026 às 09h59

Sylma Lima

Quem paga a conta da justiça? entrelinhas

No Brasil, quando o Estado precisa mostrar eficiência, quase nunca mira para cima. Prefere mirar para o lado mais fraco. Enquanto criminosos perigosos circulam com armas e influências, o braço do poder público costuma se estender sobre cidadãos comuns, transformando pequenas ações em espetáculos e abusos em manchetes.

Todos conhecemos quem mata, quem estupram, quem trafica armas, drogas e pessoas através da fronteira, dia após dia, sem qualquer risco. A fronteira Brasil–Bolívia é o corredor perfeito para o crime pesado, mas raramente para a justiça. Curiosamente, a repressão nunca chega a quem fatura com o medo. Chega ao cidadão que está na ponta.

E isso não é novo. Desde a ditadura, o Estado escolhe a quem punir e a quem proteger. Centenas de mães, naquele período, nunca tiveram o direito de enterrar seus próprios filhos. A violência institucional sempre encontrou justificativa para punir, menos para responder. O capítulo mais vergonhoso da história do país não está apenas no passado: ele continua reescrito diariamente.

Há um tipo de polícia que atira a queima-roupa em quem não oferece risco, mas reduz o olhar quando o poder exige subserviência. Exige respeito, mas não pratica deveres. Trata o cidadão como inimigo e o inimigo como “problema complexo”. O resultado é previsível: crianças crescem aprendendo a temer o Estado, não a acreditar nele. Algumas estudam, rompem o ciclo. Outras caem em delitos que têm menos a ver com maldade e mais com fome.

Enquanto isso, casos graves desaparecem no silêncio. A pequena Lívia, de nove anos, desapareceu dentro da própria casa e nunca teve resposta. Quantos casos semelhantes enchem gavetas, arquivos, inquéritos sem rosto? E, de repente, quando o Ministério Público, a polícia ou qualquer autoridade precisa mostrar serviço, alguém vira o “alvo da vez”. Alguém tem que pagar pela inoperância coletiva.

Não é justiça. É teatro.

A Constituição Federal não é um adereço. É um limite. Não foi criada para proteger o Estado contra o cidadão, mas o cidadão contra o Estado. Quando sua aplicação depende do humor, da ocasião ou da necessidade de demonstrar eficiência, ela deixa de ser lei e passa a ser instrumento de desigualdade.

O Brasil não precisa de armas na porta errada. Precisa de justiça na porta certa.

Receba a coluna Entrelinhas no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.

Leia Também

Prisão de Buxexa
Entrelinhas

Prisão de Buxexa

Eu sei o que você fez no verão passado
Entrelinhas

Eu sei o que você fez no verão passado

Outros Proventos
Entrelinhas

Outros Proventos

Ladário na mira do MP
Entrelinhas

Ladário na mira do MP

Ladário não cabe mais no silêncio
Entrelinhas

Ladário não cabe mais no silêncio

Corumbá refém
Entrelinhas

Corumbá refém

Rescaldo do Carnaval
Entrelinhas Sylma

Rescaldo do Carnaval

Entre Elas
Entrelinhas Sylma

Entre Elas

Então é Natal!
Entrelinhas Sylma

Então é Natal!

Turistando em Corumbá...
Entrelinhas Sylma

Turistando em Corumbá...

Mais Lidas

Buxexa do Amaral faz live na Delegacia Regional e é preso por desacato
Polícia

Buxexa do Amaral faz live na Delegacia Regional e é preso por desacato

Grupo armado do CV é preso suspeito de planejar ataque contra trio do PCC
Polícia

Grupo armado do CV é preso suspeito de planejar ataque contra trio do PCC

Jovem de 26 anos é morta a facadas em Corumbá
Polícia

Jovem de 26 anos é morta a facadas em Corumbá

Último foragido do caso Kelvin se entrega à Polícia em Corumbá
Polícia

Último foragido do caso Kelvin se entrega à Polícia em Corumbá