Quinta-feira, 23 de Abril de 2026
Entrelinhas

O peso do prumo

23 abr 2026 - 12h01   atualizado às 12h04

Anne Andrea Fonseca de Andrade

O peso do prumo Imagem preto e branco de infraestrutura predial. (Foto: Gerado por IA)

A legitimidade da toga não está no rito, mas no peso que ela aceita carregar

 

O silêncio não é prudência. É abdicação.

Há uma diferença essencial entre o peso da autoridade e o peso da casta. A autoridade se mantém no plano comum, onde decisões exigem explicação. A casta se afasta, envolta em ritos que, com o tempo, passaram a servir mais ao distanciamento do que ao respeito. E o distanciamento cobra um preço que instituições não podem mais suportar: a irrelevância.

O sistema aprendeu a sobreviver. E isso tem um custo. Nesse percurso, a justiça ficou para trás.

Os episódios chamam atenção. O que os torna possíveis permanece.

Durante anos, a resposta institucional mais grave a desvios na magistratura afastou sem romper. A função cessava. A estrutura permanecia. A consequência não alcançava o peso do poder exercido.

Com o tempo, isso deixou de ser exceção.

A toga nunca foi feita para proteger quem a veste. Ela é um prumo.

O prumo não adorna. Ele revela.
Só cumpre sua função porque tem peso.

Quando a magistratura se protege, perde a capacidade de aferir. A régua se desloca. A gravidade muda, mesmo quando ninguém admite.

Legitimidade não se herda. Se prova e se perde no exercício.

Não é o ritual que sustenta a autoridade, mas a disposição concreta de responder por ela. Quando essa resposta não acompanha a dimensão do poder exercido, o que permanece não é confiança, mas tolerância.

Há uma mudança em curso.

A leitura recente de que a aposentadoria compulsória não se sustenta mais como sanção disciplinar retira do sistema a sua saída mais confortável. Força um reposicionamento que vinha sendo adiado.

O prumo que não pesa não mede. E o que não mede, não serve.

Há um ponto que não pode mais ser contornado:

quem decide sobre a liberdade dos outros precisa estar submetido ao mesmo peso que impõe.

Quando a Justiça deixa de responder por si, ela não se protege.

Ela se expõe.

E, ao se expor sem resposta, perde o que mais importa: a confiança.

Receba a coluna Entrelinhas no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal

Leia Também

Uma casa emprestada
Entrelinhas

Uma casa emprestada

A engenharia da seca no Pantanal
Entrelinhas

A engenharia da seca no Pantanal

Nova face da violência escolar
Entrelinhas

Nova face da violência escolar

BR-262: A rota que não fecha
Entrelinhas

BR-262: A rota que não fecha

O problema nunca foram as unhas
Entrelinhas

O problema nunca foram as unhas

O sistema falhou antes do crime. Por quê?
Entrelinhas

O sistema falhou antes do crime. Por quê?

A medida existe. A proteção ainda está em construção.
Entrelinhas

A medida existe. A proteção ainda está em construção.

A riqueza que não se transforma em futuro
Entrelinhas Anne

A riqueza que não se transforma em futuro

Entre o potencial e a execução
Entrelinhas Anne

Entre o potencial e a execução

O papel que embrulha corpos
Entrelinhas Anne

O papel que embrulha corpos

Mais Lidas

Mineradora é condenada a pagar R$ 1,8 mi por exploração ilegal no Pantanal
Meio Ambiente

Mineradora é condenada a pagar R$ 1,8 mi por exploração ilegal no Pantanal

Ladário projeta ser o primeiro município do Brasil com registro imobiliário 100% digital
Habitação

Ladário projeta ser o primeiro município do Brasil com registro imobiliário 100% digital

Queda de moto deixa duas mulheres feridas em cruzamento de Corumbá
Plantão

Queda de moto deixa duas mulheres feridas em cruzamento de Corumbá

Proposta de polo comercial e de lazer é discutida em Corumbá
geral

Proposta de polo comercial e de lazer é discutida em Corumbá