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Corumbá convive, há anos, com uma instabilidade digital que beira o abandono. A conexão de internet, essencial para a vida moderna, é irregular, fraca e, muitas vezes, inexistente. O que deveria ser um serviço contínuo virou uma loteria. Basta esquentar, esfriar ou surgirem queimadas e o município sai do ar.
E isso vai além de um problema técnico. É reflexo da negligência com a infraestrutura e da falta de cobrança firme por parte dos órgãos competentes. Operadoras atuam na cidade, contratos estão em vigor, há fibra óptica instalada. Mas o que chega à população está longe do mínimo necessário para quem quer viver com dignidade e desenvolvimento.
A legislação é clara. O Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) reconhece o acesso à rede mundial de computadores como direito fundamental. A Resolução nº 614/2013 da ANATEL define padrões de qualidade. O Código de Defesa do Consumidor assegura a prestação contínua e eficiente de serviços essenciais. Nada disso está sendo respeitado em Corumbá.
Na prática, temos uma estrutura frágil, fios expostos, manutenção reativa e suporte técnico deficiente. Resultado: processos atrasados, aulas suspensas, atendimentos interrompidos. Corumbá trava. E com ela, trava também o trabalho, o comércio, o acesso à informação, o desenvolvimento.
É preciso agir. As operadoras devem se posicionar com clareza, apresentar diagnósticos e corrigir falhas. A ANATEL precisa fiscalizar. O poder público local deve cobrar com constância, e não apenas após pressão popular. E a população precisa parar de tratar esse abandono como algo normal.
Corumbá não está fora do mapa. Está no coração de uma região estratégica, com enorme potencial social, econômico e ambiental. E isso exige, no mínimo, uma estrutura digital confiável.
Conectividade estável não é privilégio. É um direito garantido por lei e condição básica para o exercício da cidadania. Já esperamos demais. Agora é hora de agir.
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