Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, morreu na Santa Casa da Capital.
(Foto: Arquivo Capital do Pantanal)
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu aos 60 anos na madrugada desta segunda-feira, 13 de julho, na Santa Casa de Campo Grande. No último fim de semana, ele desmaiou em sua cela e foi transferido às pressas para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, onde acabou não resistindo. O ex-político e radialista estava sob prisão preventiva no Presídio Militar Estadual desde o final de março deste ano, acusado de homicídio.
De acordo com relatos de sua defesa ao portal G1, Bernal enfrentava um histórico de cardiopatia grave. Poucas semanas antes, na virada para o mês de julho, ele havia sofrido um infarto na prisão e passou por procedimentos complexos de cateterismo e angioplastia coronariana para a colocação de múltiplos stents. Seus advogados haviam protocolado diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, alegando risco iminente de morte súbita e argumentando que a unidade militar não possuía estrutura para o tratamento. A última negativa da Justiça ocorreu apenas um dia antes de seu colapso definitivo.
A Tragédia da Disputa pelo Imóvel
A prisão preventiva que manteve o ex-prefeito detido decorreu de um crime que chocou o estado de Mato Grosso do Sul no dia 24 de março deste ano. Na ocasião, Bernal assassinou a tiros o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na Rua Antônio Maria Coelho.
O crime foi motivado pelo inconformismo do ex-prefeito com a perda de sua antiga residência. Avaliado originalmente em R$ 3,7 milhões, o imóvel havia sido leiloado judicialmente para sanar dívidas fiscais acumuladas e foi arrematado por Mazzini. No dia do homicídio, o servidor aposentado foi até o local acompanhado de um chaveiro para tomar posse legítima do bem.
Alertado pelo sistema de monitoramento da casa de que havia pessoas no local, Bernal deslocou-se armado até o endereço. Sem que houvesse discussão prévia, conforme registraram câmeras de segurança, o ex-prefeito surpreendeu a vítima e efetuou dois disparos à queima-roupa, fugindo em seguida sem prestar socorro. Horas mais tarde, ele se apresentou voluntariamente à Polícia Civil.
Julgamento Interrompido
A tese de legítima defesa apresentada pelos advogados de Bernal foi reiteradamente rejeitada pelo Judiciário em razão das evidências em vídeo e do testemunho do chaveiro presente na cena. No final de junho, o juiz Carlos Alberto Garcete determinou que o ex-prefeito enfrentaria o veredito das ruas, pronunciando-o para ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima), além de invasão de domicílio e porte ilegal de arma. Com o falecimento do réu antes da definição da data do julgamento, o processo criminal terá sua extinção de punibilidade decretada.
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