Laudelino quando foi preso
(Foto: Reprodução)
Quase 22 anos depois de um dos crimes que mais marcaram a história policial de Corumbá, o nome de Laudelino Ferreira Vieira, conhecido como “Lino”, volta ao noticiário. Apontado pelas investigações como líder da quadrilha responsável pelo roubo de três aeronaves da Ocorema Táxi Aéreo, em 2004, ele tentou retornar ao sistema prisional de Mato Grosso do Sul, mas teve o pedido negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa ingressou com um habeas corpus para transferi-lo da Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), onde cumpre pena superior a 95 anos de prisão, para uma unidade prisional sul-mato-grossense. No pedido, os advogados alegaram que houve erro no cálculo do período de permanência no sistema penitenciário federal e sustentaram que o prazo previsto já teria sido encerrado. O ministro Luís Felipe Salomão, no entanto, rejeitou o habeas corpus sem analisar o mérito, mantendo Lino em um presídio federal.
Em Corumbá, o caso da Ocorema permanece vivo na memória policial da cidade. Na madrugada de 11 de janeiro de 2004, homens armados invadiram a sede da empresa de táxi aéreo, renderam funcionários e roubaram três aeronaves. Durante a ação, o empresário e piloto Luís Fernandes de Carvalho foi assassinado. O episódio, considerado um dos mais marcantes da história criminal da fronteira, também foi registrado pela jornalista Sylma Lima no livro O Lado Oculto do Crime.
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram que as aeronaves foram levadas para a Bolívia, onde parte do grupo acabou localizada. Entre os presos estavam Lino e o piloto boliviano Miguel Ángel Limpias Cabral, apontado como responsável por operar as aeronaves após o roubo. A captura dos envolvidos mobilizou autoridades brasileiras e bolivianas e deu dimensão internacional ao caso.
O histórico prisional de Laudelino também pesou ao longo dos anos. Conforme consta na decisão, ele participou de uma tentativa de fuga do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em 2012, esteve envolvido no motim registrado na Penitenciária de Dourados (PED), em 2014, e conseguiu fugir do sistema prisional de Mato Grosso do Sul em 2021. A recaptura ocorreu apenas em 2023, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
Na ocasião, por conta de informações sobre um suposto plano para resgatá-lo, Laudelino foi transferido de Corumbá para Campo Grande em uma aeronave, medida adotada para evitar uma possível interceptação durante o transporte por via terrestre.
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