Gabriel Mazzini (à direita) com o pai, no dia do casamento; foto foi postada nas redes sociais como despedida.
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A família do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini pede à Justiça que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, permaneça preso. Em 24 de março, o político matou o fiscal a tiros. Segundo o advogado Tiago Martinho, que representa os herdeiros de Mazzini, que são assistentes de acusação na ação penal, a liberdade de Bernal pode colocar em risco a família da vítima.
“Assim, a liberdade do réu pode colocar ainda em risco a família da vítima, que tem a propriedade e exerce plenamente a posse do imóvel em questão, pois o réu já ceifou a vida do patriarca da família justamente pelo fato de ter adquirido um imóvel que um dia foi seu”.
O crime aconteceu na Rua Antônio Maria Coelho, em Campo Grande. Roberto Carlos Mazzini havia ido ao local acompanhado de um chaveiro para tomar posse da casa, adquirida após procedimento ligado à CEF (Caixa Econômica Federal), que havia retomado o imóvel de Bernal por dívida de financiamento. O ex-prefeito chegou e matou o fiscal.
A viúva e filhos de Mazzini ainda questionam onde Bernal cumpriria a prisão domiciliar, caso seja deferida pelo Poder Judiciário. “Ora, não há nos autos sequer a indicação de qual seria o endereço do réu, onde o réu pretende cumprir a prisão domiciliar que pleiteia, uma vez que largamente demonstrado no curso da instrução, que não possui a posse ou propriedade sobre o imóvel que relacionado aos autos, que é de propriedade dos assistentes da acusação, e herdeiros da vítima Roberto Mazzini”.
A família ainda aponta que Bernal não anexou a íntegra do prontuário médico e que, conforme divulgado pela imprensa, a angioplastia foi bem sucedida e o paciente deve ter alta em breve.
Já a defesa de Alcides Bernal, ao entrar com o novo pedido de liberdade, reforça que ele corre risco de “morte súbita” e passou por procedimento cardíaco na Santa Casa de Campo Grande, onde está internado.
Bernal foi levado do Presídio Militar Estadual para a Santa Casa em 1º de julho, após sofrer um infarto. No dia seguinte, passou por cirurgia cardíaca para implantação de seis stents. É o quinto pedido de liberdade para o ex-prefeito.
Em depoimento, Bernal negou intenção de matar e sustentou que agiu em legítima defesa porque acreditava que Mazzini e o chaveiro estavam armados. Já o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) argumenta que o crime foi motivado pelo inconformismo do ex-prefeito com a perda da casa. Bernal vai a júri popular.
Fonte: Campo Grande News
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