Imagens mostram Alcides entrando no imóvel com a arma em punho.
(Foto: Reprodução de vídeo)
O andamento do processo criminal contra o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, ganhou capítulos decisivos nesta semana na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Sob a condução do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, a Justiça realizou as primeiras audiências de instrução presenciais para colher depoimentos e interrogar o político, que está preso desde março acusado de assassinar a tiros o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
A primeira etapa do rito processual concentrou as oitivas das sete testemunhas indicadas pela acusação, que inclui a esposa e os filhos do fiscal atuando formalmente como assistentes de acusação autorizados pelo magistrado. O crime aconteceu no dia 24 de março em uma residência no bairro Jardim dos Estados. Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o imóvel pertencia anteriormente a Bernal, mas foi arrematado por Mazzini em um leilão da Caixa Econômica Federal após inadimplência do político. A vítima estava no local acompanhada de um chaveiro para tomar posse do imóvel quando Bernal chegou armado e efetuou os disparos. O MP classifica o crime como homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Embate processual e suspensão na OAB
As movimentações subsequentes trouxeram depoimentos de 12 testemunhas de defesa e o próprio interrogatório de Bernal. A defesa técnica do ex-prefeito sustenta a tese de absolvição sumária por legítima defesa e proteção de domicílio, sob a justificativa de que ele agiu em pânico e atirou por reflexo instintivo ao temer ser desarmado e morto com a própria pistola. Em paralelo, os advogados de Bernal tentaram impugnar documentos oficiais enviados pela Caixa Econômica Federal sobre o leilão, mas o juiz Carlos Alberto Garcete rejeitou o pedido, ressaltando que discussões de propriedade imobiliária pertencem à esfera cível e não anulam as acusações penais de homicídio doloso, porte ilegal de arma e invasão de domicílio.
Além das complicações na esfera penal, o político vem sofrendo derrotas institucionais e pessoais correlatas. Paralelamente às audiências, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS) decidiu suspender temporariamente o registro profissional de advogado de Bernal. Apesar da suspensão do exercício da advocacia, ele segue detido em uma cela especial da Sala de Estado-Maior no Presídio Militar de Campo Grande. A defesa tenta reverter a prisão preventiva por meio de novos pedidos de habeas corpus no Tribunal de Justiça de MS (TJMS), alegando razões humanitárias devido a problemas crônicos de saúde do réu, como cardiopatia e diabetes.
*Com informações do G1 MS, CG News e Mídiamax
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