Quarta-feira, 08 de Julho de 2026
Polícia

Ladário concentrou R$ 1,2 milhão em contratos investigados por fraude em livros

08 jul 2026 - 13h12   atualizado às 14h11

Gesiane S. Lourenço

Ladário concentrou R$ 1,2 milhão em contratos investigados por fraude em livros Trânsito segue bloqueado em três pontos da cidade; Festa do Peixe começa às 10h no Porto de Ladário. (Foto: Divulgação)

Os desdobramentos da Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) nesta terça-feira, 07 de julho, lançaram luz sobre as conexões do esquema criminoso no interior do estado, tendo Ladário como um dos alvos no volume de recursos sob suspeita. Conforme apontam os dados da investigação, o município pantaneiro firmou quatro contratações diretas por inexigibilidade de licitação com a editora investigada, somando exatamente R$ 1.207.600,00 desviados ou aplicados de forma irregular.

De acordo com a investigação, as transações em Ladário ocorreram em um intervalo de menos de dois anos, divididas em quatro repasses significativos: R$ 459,2 mil, R$ 350,2 mil, R$ 149,2 mil e R$ 249 mil entre dezembro de 2022 e agosto de 2024, durante a gestão do então prefeito Iranil Soares.

O "Balcão de Negócios" e o papel dos municípios

A apuração do Ministério Público revela que a organização criminosa utilizava a venda de livros paradidáticos apenas como uma fachada legal para escoar dinheiro público. O esquema mais grave envolvia a área da saúde estadual: servidores corrompidos operavam um verdadeiro "balcão de negócios" na Central de Regulação do SUS, condicionando a liberação de leitos, cirurgias e exames para pacientes do interior à compra dos materiais didáticos por parte dos gestores locais.

O Gaeco confirmou que a rede criminosa mantinha-se altamente ativa e com contratos vigentes. A força-tarefa, que contou com o apoio do Batalhão de Choque e do BOPE, cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. 

Teia Criminosa

De acordo com as apurações do MP, mais de dez prefeituras de Mato Grosso do Sul compraram, sem licitação, livros paradidáticos da Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços, também chamada de Editora Avante. Nelas, os contratos entre 2022 e 2026 somam R$ 22.179.312,80. O mais recente foi firmado com a Prefeitura de Novo Horizonte do Sul, no valor de R$ 256,2 mil, assinado em maio deste ano. 

Confira a lista do MP das prefeituras e respectivos valores pagos, sem licitação, à editora investigada:

  • Anaurilândia: R$ R$ 207,6 mil
  • Bonito: R$ 357.618,00 mil
  • Caarapó: R$ 589,3
  • Campo Grande: R$ 3,2 milhões
  • Deodápolis: R$ R$ 474,8 mil
  • Dourados: R$ 13 milhões
  • Ivinhema: R$ R$ 874,1 mil
  • Ladário: R$ 1,2 milhão
  • Miranda: R$ 1 milhão
  • Novo Horizonte do Sul: R$ 256,2 mil
  • Porto Murtinho: R$ R$ 249,9 mil
  • São Gabriel do Oeste: R$ R$ 640,1 mil
  • Sonora: R$ 302,2 mil

Audiência de Custória

Servidores e empresários presos nesta terça-feira (7) na operação do Gaeco tiveram a prisão convertida em preventiva em audiências de custódia realizada nesta quarta-feira (8). Pela manhã, passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões mantidas:

  • Ed Carlo Britto Burgatt
  • Olívia Jafar
  • Felipe Paroschi Jafar
  • Joatan Gomes Peixoto
  • Matheus Oliveira Peixoto
  • Francisco Anizio dos Santos
  • Paulo Rogerio de Melo
  • Douglas Henrique de Melo
  • Gabriel Taquino de Paula

Ainda não passaram pela audiência de custódia Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, Jésica Burgatt e Rossana Jafar, que tiveram a audiência designada para a quinta-feira (9).

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