Cédulas de dinheiro apreendidas na operação Gutemberg.
(Foto: Gaeco/MPMS)
O balanço atualizado das diligências da Operação Gutenberg, divulgado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou a apreensão de mais de R$ 3 milhões em cheques e acima de R$ 200 mil em dinheiro em espécie. Conforme informações apuradas pelo portal Campo Grande News, a quantidade de dinheiro vivo superou as estimativas iniciais do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores é que parte dos bolos de cédulas novas recolhidos nas buscas ainda estava envolta em lacres oficiais do Banco Central.
O uso expressivo de cheques também surpreendeu os agentes, visto que a modalidade perdeu espaço no mercado nacional desde os anos 90, impulsionada por transações bancárias mais modernas e recentemente pela popularidade do Pix. Atualmente, o recurso financeiro é restrito a transações de alto valor por pessoas jurídicas. A operação, deflagrada na última terça-feira (7), investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos de livros paradidáticos por inexigibilidade de licitação, gerando um prejuízo que ultrapassa R$ 27 milhões.
Prisões, foragidos e fraudes na regulação da saúde
Até o momento, das 43 ordens de busca e apreensão expedidas pela Justiça, 40 foram devidamente cumpridas em municípios de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. O Gaeco confirmou o cumprimento de 14 mandados de prisão preventiva, além de três prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Dois alvos continuam foragidos: o estrategista educacional Heyder Bartz e o empresário Giovanni Paroschi Jafar — este último é o quarto membro de sua família a se tornar alvo da ação, que já prendeu sua mãe e seus dois irmãos.
As investigações apontam que o esquema criminoso ramificou-se para dentro da saúde pública estadual. Servidores cooptados utilizavam sua influência no Complexo Regulador Estadual (Core), em Campo Grande, para condicionar a liberação de exames, cirurgias e vagas em hospitais à aquisição dos livros didáticos comercializados pelo grupo. Entre os detidos na ofensiva estão o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, o então coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt, além de médicos, advogados e empresários. As defesas dos envolvidos contestam as acusações e buscam a revogação das prisões.
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