Parte da estrutura da Liga Árabe foi demolida do domingo, 24 de maio.
(Foto: Imagem do Processo)
Uma intervenção judicial de urgência barrou a destruição da sede da Liga Árabe Brasileira de Corumbá. O juiz Maurício Cleber Miglioranzi Santos ordenou, nesta segunda-feira, 25 de maio, o veto imediato a qualquer intervenção física no prédio, e, em caso de descumprimento, uma multa de R$ 50 mil foi fixada, além de eventuais perdas e danos.
O magistrado também travou o registro da escritura de compra e venda do local. A resposta jurídica ocorre após uma ala de associados denunciar a dilapidação com traços criminosos dos bens da instituição.
A crise institucional atingiu o ápice com uma tentativa de demolição na calada da noite de domingo, dia 24, quando tratores pesados derrubaram frações da fachada do imóvel histórico. O colapso total da estrutura foi evitado por um escudo humano feito pelos próprios membros da comunidade. Eles se colocaram na frente dos maquinários até a chegada das forças policiais. Relatos apontam que a operação de demolição foi comandada pelo empresário André Patrola.
Os comerciantes Sadique Adi, Taher Mahid Hasan Asrieh e Yahya Muhd Omar Said lideram a reação jurídica. Eles alegam que a negociação do imóvel ocorreu sem o conhecimento dos membros e de forma oculta. O processo aponta que a reunião que selou o negócio está repleta de nulidades. A comunidade busca agora anular a venda para salvar a memória da imigração árabe.
A presidência da entidade é exercida por Ragh Ady Abdel Aziz Ady, cuja liderança é contestada na Justiça. Ele havia assumido o controle da Liga como interventor judicial temporário. Na época, alegou-se que a associação estava acéfala, com dívidas fiscais graves e CNPJ irregular. Contudo, a eleição posterior que o efetivou no cargo e a rápida venda do patrimônio são alvos de contestação por mais de 30 filiados.
Detalhes revelam transação abaixo do valor de mercado
Os bastidores do negócio, fechado em 29 de abril de 2026 no Cartório do 4º Ofício de Corumbá, revelam que o empresário André Patrola e sua esposa, Tatiana Duarte dos Santos, compraram os cinco terrenos da Liga — que somam 4.631 m² nas ruas Antônio João e América — por R$ 1,9 milhão, valor bem abaixo da avaliação da prefeitura, estimada em R$ 2,7 milhões. A venda foi assinada por Ragh Adiy com a justificativa de quitar dívidas fiscais da entidade e comprar uma nova sede.
De acordo com apurações, no Tribunal de Justiça, há pelo menos quatro processos de execução fiscal contra a associação que somam apenas cerca de R$ 68 mil e têm grandes chances de estarem prescritos. O pagamento de Patrola foi parcelado, incluindo transferências direto para a conta da Nassif Sociedade Individual de Advocacia; o advogado Diego Nassif alegou que a verba cobre honorários de consultoria e regularização dos imóveis.
A transação foi baseada em uma assembleia extraordinária de novembro de 2025, mas chamou a atenção pelas dispensas de documentos exigidos por lei e pela falta de pagamento prévio do imposto de transmissão (ITBI) no ato da assinatura.
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