Pescadores durante a prática esportiva da pesca no rio Paraguai.
(Foto: Acert)
Uma declaração do deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB), proferida durante reunião preparatória para a COP 15 em Campo Grande, desencadeou uma onda de indignação em Corumbá. Ao dirigir-se à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o parlamentar afirmou que a pesca esportiva é o "grande problema do Pantanal", acusando turistas de outras regiões de não gerarem renda, deixarem lixo e provocarem incêndios no bioma.
Reações e Pedido de Retratação
A Prefeitura de Corumbá e a Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert) repudiaram veementemente as falas. Em carta aberta, a Acert exigiu uma retratação pública, classificando as afirmações como desinformadas e prejudiciais a uma cadeia econômica vital para milhares de famílias pantaneiras.
Em vídeo que circula nas redes sociais, o deputado afirma que pescadores de estados como São Paulo e Minas Gerais chegam em ônibus, cozinham na beira do rio sem utilizar a rede hoteleira e "deixam uma sujeira danada". Para o setor turístico, a fala ignora a evolução da atividade nas últimas décadas.
O Modelo Sustentável de Corumbá
A Fundação de Turismo do Pantanal (Fundtur) rebateu os números e a visão do parlamentar. Anualmente, Corumbá recebe mais de 30 mil pescadores que utilizam pousadas, pesqueiros e a maior frota de barcos-hotéis do país. Diferente do cenário pintado pelo deputado, o perfil atual do turista inclui famílias e grupos de mulheres, focados na prática do "pesque e solte".
"A declaração do deputado remete à década de 1980, quando a fiscalização era incipiente", afirmou Zelinho de Carvalho, diretor-presidente da Fundtur Pantanal. Ele destaca que, desde 2012, o município endureceu leis, como a proibição da captura do dourado, consolidando um modelo de turismo que hoje é referência internacional.
Pilar da Economia Local
Em nota oficial, a Prefeitura reforçou que a pesca esportiva é, hoje, um dos pilares do desenvolvimento responsável no Pantanal. O comunicado ressalta que a gestão pública, guias e operadores atuam como aliados na conservação do bioma, gerando emprego e renda enquanto promovem a proteção dos recursos naturais.
Para os empresários do setor, generalizar incidentes isolados como prática comum da pesca esportiva desconsidera avanços históricos na regulamentação e na consciência ambiental dos pescadores modernos, que hoje priorizam a preservação do peixe vivo no rio.
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