Maria Alcina falou um pouco do trabalho que a entidade realiza na região.
(Foto: Câmara de Corumbá)
O plenário da Câmara Municipal de Corumbá foi palco de um depoimento profundamente comovente na noite desta terça-feira, 26 de maio. A convite do vereador Jovan Temeljkovitch, Maria Alcina Morais, representante da Associação Comunitária Mãos Que Abraçam, ocupou a tribuna do Legislativo para compartilhar a realidade e o propósito da entidade. A instituição desenvolve um papel crucial na região, oferecendo atendimento especializado a crianças com transtornos do neurodesenvolvimento — como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, síndrome de Down e dislexia —, além de estender o suporte assistencial a famílias que enfrentam extrema vulnerabilidade social.
Em seu pronunciamento, Maria Alcina reforçou que a verdadeira inclusão vai muito além de discursos bonitos, exigindo compromisso prático, humanidade e respeito por aqueles que lutam diariamente para sobreviver emocional, financeira e socialmente. Ela compartilhou a dor silenciosa vivida pelas mães atípicas, que lidam constantemente com a exaustão, o preconceito, o abandono e a solidão de carregar sozinhas uma responsabilidade que deveria ser coletiva. A palestrante contextualizou a complexidade do trabalho social ao relatar o desafio de oferecer terapia de qualidade para crianças que muitas vezes sequer tomaram o café da manhã, ou de tentar desenvolver o potencial de adolescentes com TDAH que carecem de autoestima, apoio emocional e perspectivas de futuro.
O relato também trouxe à tona problemas sociais graves que cruzam o caminho da associação, como a ocorrência de gravidez na adolescência e o peso do esquecimento gerado pela falta de políticas públicas efetivas. Segundo Maria Alcina, a Associação Mãos Que Abraçam nasceu justamente da dor transformada em luta por uma mãe atípica, focando na escuta ativa e nas visitas domiciliares para compreender a fundo a realidade de cada assistido. Ao encerrar sua fala, ela conclamou o poder público e a sociedade civil a entenderem a neurodivergência como uma pauta coletiva, lembrando que a inclusão não se trata de um favor, mas sim de um direito humano fundamental garantido pela dignidade e pela igualdade.
Projeto de Lei
Foto: Câmara de Corumbá
Como desdobramento prático desse apoio, o vereador Jovan Temeljkovitch apresentou, na mesma sessão ordinária, um Projeto de Lei para declarar a Associação Comunitária Mãos Que Abraçam como de Utilidade Pública Municipal. Regularmente constituída sob o CNPJ nº 61.318.811/0001-20 e com sede em Corumbá, a entidade civil sem fins lucrativos ou políticos atende hoje cerca de 300 famílias atípicas. O parlamentar destacou que o título reconhece o relevante interesse público e humanitário da instituição, que oferece acolhimento e tratamentos voluntários em áreas como psicologia, psicopedagogia, neuropsicopedagogia e psicomotricidade. Além disso, a titulação abre caminhos legais para que a associação firme parcerias com órgãos públicos e privados, fortalecendo a captação de recursos para campanhas de conscientização, assistência social e suporte terapêutico multidisciplinar na região.
*Com informações da Câmara de Corumbá
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