Taniele Mendes, ex-atendente e vendedora, venceu o medo das grandes máquinas para conquistar uma nova carreira atrás do volante.
(Foto: Divulgação)
O cenário da mineração no Pantanal sul-mato-grossense passa por uma transformação que vai além da tecnologia: ela é social. Em Corumbá, um setor historicamente associado à força masculina abre espaço para o talento e a precisão das mulheres. A primeira turma do programa Operadores do Futuro, idealizado pela Lhg Mining, formou 15 mulheres para a operação de equipamentos de mineração pesada, estabelecendo um marco de inclusão, diversidade e desenvolvimento socioeconômico na região.
A qualificação, que teve duração de 70 a 90 dias, foi estruturada para garantir a transição segura de profissionais que antes atuavam em mercados completamente distintos. O processo combinou 80 horas de formação teórica com imersão tecnológica em simuladores virtuais 3D — capazes de reproduzir com fidelidade os comandos, sons e vibrações das máquinas reais —, além de práticas diretamente no campo. Para viabilizar a atuação, o programa também custeou a mudança da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) das participantes para a categoria D, resultando em 100% de aprovação das candidatas.
Histórias de superação e mudança de vida
Para muitas das participantes, o ingresso no setor de maquinário pesado representou a quebra de preconceitos e uma guinada radical na carreira. O processo de seleção foi altamente competitivo, atraindo o interesse de mais de 300 candidatas para as 15 vagas disponíveis.
Elizabeth Fernandes da Cruz, de 47 anos, sem qualquer experiência prévia na área mineral, via o setor como algo distante de sua realidade. “A gente não tem oportunidade, ainda mais eu, no meu caso, tenho 47 anos. Eu não tinha experiência com máquina, com mina ou nada da área. A empresa abriu essa porta para a gente”, destaca, celebrando a oportunidade de inserção no mercado de trabalho em uma nova faixa etária.
Tanielle Mendes da Rocha, de 34 anos, ex-atendente e vendedora, lidou com o medo inicial diante do tamanho dos equipamentos. Hoje, o sentimento foi substituído por superação. "Achava impossível conseguir uma vaga na empresa, ainda mais no cargo que exerço hoje. Foi bem diferente de tudo que eu esperava, porque eu não tinha habilitação categoria D e consegui tirar”, conta.
Outro exemplo de sucesso é Wanessa Fretes Ortigosa, de 42 anos, que trocou o trabalho como motorista de aplicativo pelas minas de Corumbá. A conquista da vaga alimentou seus planos para o futuro. "Dirigir esse equipamento é motivo de orgulho. Foi uma oportunidade que mudou minha vida”, ressalta.
Alta performance e o futuro do setor
A presença feminina na operação de grandes ativos tem gerado impactos positivos imediatos na rotina operacional. Coordenadores de instrução técnica apontam que a inclusão traz benefícios práticos mensuráveis, como alta assiduidade, forte comprometimento com as normas de segurança, cuidado rigoroso com a manutenção preventiva dos equipamentos e excelente diálogo com a gestão.
A estratégia da Lhg Mining projeta a capacitação de 48 novos operadores ao longo de 2026. A primeira turma, composta exclusivamente por mulheres, atua como um modelo de referência para o setor mineral do país, provando que a eficiência técnica e a diversidade caminham juntas na construção da mineração do futuro.
A transformação vista em Corumbá acompanha um movimento nacional. Historicamente, a participação feminina na mineração brasileira era inferior a 10%. Nos últimos anos, metas globais do setor buscam dobrar esse indicador, com foco crescente em áreas de operação técnica e engenharia de minas.
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