Aeronave interceptada pela FAB.
(Foto: Divulgação/FAB)
As autoridades bolivianas investigam se a aeronave interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 31 de julho, no município de São Gabriel do Oeste, foi utilizada de forma estratégica para retirar da Bolívia o grupo armado suspeito de assassinar o subtenente da Polícia Boliviana, Yerson Salazar Aliendres. A informação e os detalhes da linha de investigação conduzida pelos órgãos de segurança do país vizinho foram divulgados pelo jornal boliviano El Deber.
De acordo com o mapeamento feito pelos investigadores bolivianos, existem indícios contundentes de que o avião clandestino deu fuga aos criminosos envolvidos em uma sequência de ataques violentos registrados entre quarta (29) e quinta-feira (30), em San Matías — cidade boliviana que faz fronteira com o estado de Mato Grosso.
Emboscada e morte de subtenente
O foco central das investigações na Bolívia gira em torno do ataque que vitimou o subtenente Yerson Salazar Aliendres, que integrava o Centro Especial de Investigação Policial (CEIP) de Santa Cruz. Conforme relatos das autoridades locais ao El Deber, o policial e sua equipe seguiam para apurar uma chacina ocorrida dias antes na região de fronteira quando a viatura em que estavam foi alvo de uma emboscada violenta praticada por homens fortemente armados. O subtenente morreu no local e outro policial ficou ferido.
Na manhã seguinte ao atentado, o esquema de fuga teria sido acionado pelos criminosos. A FAB detectou a aeronave entrando no espaço aéreo brasileiro vinda diretamente do território boliviano. O avião voava sem plano de voo, sem matrícula identificável e ignorou todas as ordens de comunicação via rádio, o que forçou a defesa aérea brasileira a efetuar uma perseguição que terminou em um pouso forçado em uma pista clandestina na zona rural de São Gabriel do Oeste. Os ocupantes fugiram pela mata antes da chegada da Polícia Federal.
Disputa pelo narcotráfico na fronteira
A polícia da Bolívia trabalha com a hipótese técnica de que a aeronave estava posicionada exatamente para resgatar os executores logo após as ações em San Matías. Apesar dos fortes indícios logísticos reunidos, as autoridades bolivianas ressaltam que ainda tratam o vínculo como uma linha de apuração prioritária, não havendo até o momento uma confirmação oficial de que os tripulantes do avião interceptado sejam de fato os autores materiais da emboscada.
O relatório dos investigadores cita que a explosão de violência na região é o reflexo direto de uma guerra sangrenta entre organizações criminosas internacionais. As facções disputam o controle total das rotas do narcotráfico na faixa de fronteira entre a Bolívia e o Brasil. No entanto, em respeito aos protocolos de apuração e sigilo, o governo boliviano evitou atribuir publicamente os ocupantes da aeronave a nenhuma facção específica até a conclusão dos exames papiloscópicos e periciais do monomotor.
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