Pesquisadores coletando material genético de onça atropelada na BR 262.
(Foto: Redes Sociais)
Uma cena dramática registrada por motoristas no último sábado, 18 de abril, expôs, mais uma vez, o perigo da BR-262 para a fauna pantaneira. Uma onça-pintada macho morreu após ser atropelada no trecho entre Miranda e Corumbá. Imagens do animal se arrastando pelo asfalto antes de vir a óbito viralizaram nas redes sociais, reacendendo o debate sobre a segurança na rodovia.
Apesar da perda do indivíduo, pesquisadores do grupo Reprocon (Reproduction for Conservation), ligados à UFMS, conseguiram chegar ao local para coletar material genético. O objetivo é biopreservar as células em um biobanco de pesquisa, o que possibilita, no futuro, a realização de técnicas de clonagem para garantir a variabilidade genética da espécie.
Segundo o médico veterinário Gediendson Ribeiro, este é o 8º animal preservado pelo grupo após colisões veiculares desde 2023. "Por um lado, estamos preservando a genética, mas por outro, perdemos mais um indivíduo impactando o equilíbrio do Pantanal", lamentou. O material coletado será cultivado em laboratório e pode ficar guardado por anos, servindo para evitar problemas de consanguinidade em futuros cruzamentos.
Rodovia da morte e planos de mitigação
A Polícia Militar Ambiental (PMA) reforçou o pedido de atenção redobrada aos condutores, especialmente à noite, devido ao fluxo intenso de animais. Dados do Ibama revelam um salto assustador na mortalidade: em dez anos, a média de atropelamentos na via subiu de 1,67 para 10,5 mortes diárias. Entre 2020 e 2021, quase 4 mil animais foram encontrados mortos no trecho, incluindo espécies ameaçadas como antas, tamanduás-bandeira e lobos-guará.
Para tentar conter o massacre, o DNIT executa um Plano de Mitigação de R$ 30,2 milhões, que inclui:
- Cercas condutoras: 170 km de barreiras para guiar os animais;
- Passagens de fauna: Instalação de túneis e passagens superiores;
- Fiscalização: Ativação de 20 radares em trechos críticos entre Anastácio e Corumbá.
O aumento do tráfego e o afugentamento de animais causado pelas queimadas dos últimos anos são apontados pelo Ibama como as principais causas para o crescimento das estatísticas de atropelamentos.
*Com informações do Correio do Estado
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