Pesquisador durante a coleta de material genético na anta atropelada.
(Foto: Reprodução de vídeo)
O feriado de 4 de junho foi marcado por mais um grave episódio de colisão contra a fauna silvestre na rodovia BR-262, no trecho compreendido entre as cidades de Miranda e Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O impacto envolveu um animal silvestre de grande porte, mobilizando imediatamente equipes de cientistas e veterinários para o local do acidente a fim de coletar dados e material biológico.
Assim que o incidente foi reportado, pesquisadores associados à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e à Rede de Proteção e Conservação da Onça-Pintada (Reprocon) deslocaram-se até o ponto indicado para realizar os protocolos técnicos recomendados. A ação rápida permitiu o recolhimento de amostras de tecidos vitais antes da degradação da carcaça do animal.
A coleta de material genético nessas circunstâncias não serve apenas para fins de registro estatístico. O material celular coletado pela equipe coordenada pelo médico veterinário e pesquisador Gediendson Ribeiro de Araújo foi direcionado para armazenamento no Biobanco Pantanal, uma iniciativa científica de alta tecnologia vinculada a laboratórios da UFMS.
Esse banco de dados biológicos conserva o DNA e amostras celulares de espécimes nativos do ecossistema pantaneiro. Os materiais biológicos são fundamentais para futuras pesquisas em biotecnologia reprodutiva e inseminação assistida, funcionando como uma espécie de "seguro genético" para a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção em decorrência da atividade humana.
Além da amostragem científica, os profissionais realizaram a remoção segura do corpo do animal das margens do acostamento. Segundo alertas emitidos pela Reprocon, essa limpeza é um passo crucial de manejo: carcaças deixadas na pista atraem carniceiros, aves de rapina e outros predadores terrestres, desencadeando um efeito cascata que resulta em novos atropelamentos na mesma região.
Retas longas e velocidade convertem a BR-262 em área críticaEstudos realizados por organizações não governamentais e instituições de engenharia de transportes apontam de forma recorrente que o trecho pantaneiro da BR-262 figura entre os líderes nacionais em índices de mortalidade de fauna silvestre. A presença de longas retas combinada com a melhora nas condições de asfalto induz o aumento de velocidade por parte dos condutores, impossibilitando reações defensivas a tempo de evitar colisões.
Grandes mamíferos do bioma, como a anta brasileira, o tamanduá-bandeira e felinos de topo de cadeia como a onça-pintada, estão entre as vítimas mais frequentes catalogadas pelas patrulhas de monitoramento.*Com informações do CG News
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