A queima controlada reduz a quantidade de biomassas para minimizar os riscos causados pelo fogo - inclusive de propagação.
(Foto: Ewerton Pereira/Secom)
Uma grande operação conjunta entre o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS) reforçou as barreiras contra incêndios florestais no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. A iniciativa aplicou a estratégia de Manejo Integrado do Fogo (MIF) em duas etapas de queima prescrita, conseguindo cobrir uma extensão superior a mil hectares dentro da unidade de conservação, que possui 76 mil hectares no total. O foco central é reduzir de forma drástica a biomassa acumulada na vegetação, eliminando o material combustível antes da chegada do período crítico de estiagem severa.
A primeira fase da intervenção ocorreu de forma estratégica logo no início do ano. Diante de um foco de incêndio espontâneo na região oeste do parque, as equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no monitoramento tático e utilizaram o próprio avanço controlado das chamas para limpar o excesso de vegetação seca. Toda a ação recebeu suporte tecnológico de uma torre de observação local e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), que realizou voos constantes de acompanhamento. Segundo Leonardo Tostes, Gerente de Unidade de Conservação do Imasul, o ambiente alagado de alguns pontos funcionou como barreira natural, ajudando a manter o fogo rigorosamente dentro dos limites planejados.
A segunda etapa aconteceu entre os dias 11 e 15 de maio, expandindo o perímetro de proteção para áreas vizinhas. Uma queima prescrita autorizada pelo Imasul abrangeu cerca de 600 hectares da Fazenda Santa Maria, localizada na divisa leste do parque. O Capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do CBMMS, detalhou que a ação buscou desenhar um cinturão preventivo do centro para o oeste da unidade. Para garantir a total segurança da operação, os técnicos aproveitaram uma janela meteorológica favorável trazida por uma frente fria, utilizando a queda de temperatura, o aumento da umidade e as chuvas daquela semana como aliados no controle do fogo.
O sucesso da missão dependeu diretamente de uma rede de cooperação que uniu dez bombeiros, sete servidores do Imasul, dois pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e colaboradores da Fazenda São Jorge, que apoiaram os trabalhos com tratores e abertura de aceiros. O cronograma de cinco dias dividiu-se em planejamento, três dias de aplicação do fogo brando e um dia completo de rescaldo. O diretor-presidente do Imasul, André Borges, defendeu o MIF como uma evolução indispensável para a preservação ecológica, destacando que o Pantanal convive naturalmente com o fogo e precisa desse ordenamento técnico para evitar desastres ambientais de grande magnitude.
Diferente dos incêndios florestais severos que destroem as copas das árvores e encurralam os animais, a queima prescrita gera chamas de baixa intensidade. Esse método promove apenas uma limpeza superficial do solo, garantindo tempo hábil para a fuga da fauna silvestre e a rápida regeneração da flora. O cuidado técnico para este ano é redobrado em razão das previsões climáticas sob a influência do fenômeno El Niño, que promete calor extremo e seca prolongada. Respeitando o plano de manejo da unidade, as áreas queimadas este ano receberão um descanso obrigatório de pelo menos dois anos, assegurando o ciclo natural de restauração do bioma pantaneiro.
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