Helicóptero militar da Marinha durante manutenção no sistema Pantera.
(Foto: Divulgação)
Uma força-tarefa estratégica realizada nesta quarta-feira, 3 de junho, garantiu a continuidade do monitoramento em tempo real contra incêndios florestais em uma das regiões mais isoladas e biodiversas do Pantanal. O Instituto Homem Pantaneiro (IHP), em parceria com a Marinha do Brasil, concluiu a manutenção de uma das torres de transmissão do Sistema Pantera, localizada na Serra do Amolar. A ação consistiu na substituição de quatro baterias que alimentam as câmeras de alta resolução da estrutura, assegurando o funcionamento ininterrupto do sistema, sete dias por semana.
A proteção de áreas remotas pantaneiras impõe desafios geográficos colossais. Sem o suporte do helicóptero disponibilizado pela Marinha do Brasil, a equipe técnica do IHP levaria pelo menos três dias para concluir a manutenção por vias terrestre e fluvial.
O maior obstáculo seria o transporte manual de mais de 120 kg de equipamentos e insumos. Todo esse peso teria de ser carregado pelos técnicos em uma escalada íngreme pela morraria local, sob uma altitude de 600 metros acima do nível do mar. Para viabilizar a missão desta semana, os brigadistas do IHP prepararam o terreno previamente, realizando a limpeza da área para o pouso seguro da aeronave e criando aceiros de proteção no entorno da torre.
Criado pela startup Um Grau de Meio, o Sistema Pantera está na vanguarda tecnológica da conservação ambiental. Suas câmeras de alta precisão cobrem mais de 1 milhão de hectares, alcançando territórios no Brasil e a Área de Manejo Integral San Matías, na Bolívia. O sistema processa dados instantaneamente e detecta colunas de fumaça em um intervalo de apenas 3 a 5 minutos.
O presidente do IHP, Ângelo Rabelo, destaca que a velocidade de resposta é o fator crucial para evitar desastres. “Ganhamos muito tempo para conseguir planejar uma ação e tentar evitar que um fogo se transforme em incêndio florestal. Os sistemas satelitais costumam fazer uma detecção após horas do início do fogo”, explica Rabelo, reforçando que o trabalho conjunto com a Marinha, iniciado em 2022, é fundamental para a proteção do bioma.
Os alertas gerados pela central do IHP são compartilhados imediatamente com uma rede de proteção que inclui os Corpos de Bombeiros de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Ministério Público Estadual de MS, o Prevfogo/Ibama, a Armada Boliviana e moradores de propriedades rurais remotas.
Escudo contra a ameaça do El Niño em 2026
A antecipação do serviço se alinha às notas técnicas emitidas pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Os dados meteorológicos globais indicam mais de 80% de probabilidade de desenvolvimento do fenômeno El Niño a partir do trimestre de agosto, setembro e outubro de 2026.
Para a área central do país e o Pantanal, o fenômeno projeta anomalias térmicas severas, com ondas de calor e baixa umidade que podem superar a gravidade histórica dos anos de 2023 e 2024. A prevenção torna-se uma questão de sobrevivência para as comunidades isoladas, que sofrem diretamente com a proximidade das chamas e a fumaça sem os recursos de abrigo existentes nas zonas urbanas.
Além do suporte tecnológico, a Brigada Alto Pantanal do IHP atua intensamente em solo desde janeiro. Somente em 2026, os brigadistas já abriram e mantiveram mais de 33 km de aceiros em áreas estratégicas de passagem de fauna, onde o IHP monitora e cataloga a biodiversidade local, que já soma mais de 200 espécies de animais identificadas e um inventário florestal em andamento.
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