Imagem aérea do Pantanal.
(Foto: SOS Pantanal)
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado globalmente nesta sexta-feira, 5 de junho, adota neste ano como tema central as mudanças climáticas e as ações urgentes necessárias para a mitigação de seus efeitos. A data foi oficialmente instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972 por meio da Resolução 2994 (XXVII), durante a histórica Conferência de Estocolmo, na Suécia. O mesmo marco regulatório deu origem ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), órgão que coordena as respostas ambientais globais.
Atualmente, o conceito de "economia da natureza" ganha espaço estratégico nas agendas internacionais, integrando discussões sobre crescimento econômico, competitividade de mercado e desenvolvimento sustentável. Diante de indicadores como a elevação do nível do mar, incêndios florestais intensificados, ondas extremas de calor e o derretimento acelerado de geleiras, a ONU reitera a convocação para que o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil atuem conjuntamente na contenção da crise climática.
Impacto da Extração de Recursos e Atitudes Individuais
De acordo com dados divulgados pelo PNUMA, as atividades de extração e o processamento de recursos naturais voltados à fabricação de bens de consumo são responsáveis por mais de 50% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, esse setor responde por mais de 90% da perda de biodiversidade e do estresse hídrico registrados no planeta.
Nesse cenário, os hábitos de consumo cotidiano entram em debate paralelamente às metas climáticas corporativas. Vininha F. Carvalho, economista, ambientalista e editora da Revista Ecotour News & Negócios, aponta que medidas individuais práticas, como o reaproveitamento de água da chuva e a transição para fontes de energia renovável, conseguem aliar eficiência operacional à redução de danos ambientais. Ela reforça que a data deve servir como um período de reflexão e fortalecimento do combate à contaminação dos recursos naturais e aos crimes contra a fauna e a flora.
O interesse do cidadão em participar dessa mudança foi quantificado na pesquisa intitulada "Natureza e Cidades: a relação dos brasileiros com as mudanças climáticas", desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em cooperação com a Unesco. O estudo revela que:
- 87% dos entrevistados declaram-se dispostos ou muito dispostos a alterar hábitos cotidianos para amenizar os impactos climáticos.
- 19% das pessoas propensas a mudar afirmam enfrentar dificuldades por não saber quais ações práticas devem adotar.
- Ações mais citadas pelos participantes: Reciclagem e descarte correto de resíduos (24%), plantio de árvores (15%), redução do uso de plástico (8%) e adoção de meios de transporte menos poluentes (8%).
Nova Legislação e Desafios para o Setor Produtivo no Brasil
No panorama nacional, o ambiente de negócios passa por transformações estruturais decorrentes da entrada em vigor da Lei nº 15.190/2025, denominada Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Em aplicação desde fevereiro deste ano, o texto unifica e estabelece novas diretrizes nacionais para os processos de licenciamento, exigindo readequações imediatas em setores como a construção civil, a indústria, a infraestrutura e o agronegócio.
Especialistas do setor de engenharia ressaltam a importância do planejamento diante do atual período de transição regulatória. Matheus Forte, engenheiro ambiental e sócio-fundador da Forte Desenvolvimento Sustentável, destaca que as organizações precisam revisar seus processos vigentes de forma antecipada. Segundo a análise técnica, o início prévio da adequação estratégica reduz riscos jurídicos, garante maior segurança operacional e amplia a margem de tomada de decisão das empresas perante os novos critérios de proteção ambiental exigidos pelo país.
*Com informações da revista Ecotour
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