Ave Juruva, símbolo da Mata Atlântica em Mato Grosso do Sul.
(Foto: Geancarlo Merighi)
Mato Grosso do Sul deu um passo decisivo na valorização de seu patrimônio natural com a sanção da Lei nº 6.563/2026, que institui a juruva (Baryphthengus ruficapillus) como a ave símbolo dos domínios da Mata Atlântica no estado. A medida oficializa um processo de mobilização que envolveu o setor público, organizações da sociedade civil e a iniciativa privada, consolidando a espécie como um ícone da preservação ambiental e um novo motor para o desenvolvimento do turismo de natureza.
A escolha da juruva não é por acaso. Conhecida por sua beleza singular e comportamento discreto, a ave é considerada um indicador fundamental da qualidade dos ecossistemas. A proposta para sua oficialização nasceu na Frente Parlamentar de Unidades de Conservação e ganhou força após uma consulta pública realizada entre o Dia Nacional da Mata Atlântica e o Dia Mundial do Meio Ambiente em 2025. O anúncio ocorre em um momento estratégico, logo após o estado sediar a COP15, reforçando o protagonismo sul-mato-grossense nas discussões globais sobre biodiversidade.
Para a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur MS), que participou ativamente da construção da proposta, a lei fortalece o posicionamento do estado no cenário do "aviturismo". Segundo Geancarlo Merighi, diretor de Desenvolvimento do Turismo da fundação, o reconhecimento da ave ajuda a consolidar o segmento de observação de aves como um vetor de desenvolvimento sustentável. A iniciativa já se conecta a projetos práticos, como a recente criação de uma rota de observação em Unidades de Conservação da Mata Atlântica, em parceria com o Imasul e a IGR Vale das Águas.
O impacto da nova legislação vai além da simbologia. O texto prevê o incentivo a pesquisas científicas, ações de educação ambiental e a promoção da imagem da juruva em materiais institucionais e campanhas educativas. Para gestores de reservas ambientais e operadores turísticos, como Ana Luzia Abrão e José Lucas, a aprovação reflete um esforço coletivo para proteger um bioma que, em Mato Grosso do Sul, abrange 6,3 milhões de hectares e detém a maior área contínua preservada de Mata Atlântica no interior do Brasil.
Com a sanção, Mato Grosso do Sul reafirma seu compromisso com a economia verde, integrando a conservação dos habitats florestais ao crescimento econômico por meio do turismo responsável e da conscientização populacional.
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