Quarta-feira, 06 de Maio de 2026
Meio Ambiente

Quase 5 milhões de hectares de pastagens degradas já foram recuperadas em MS

15 dez 2025 - 04h36   atualizado em 03/03/2026 às 09h33

Gesiane Sousa

Quase 5 milhões de hectares de pastagens degradas já foram recuperadas em MS A ação é estratégica para o governo do Estado, que defende uma economia verde com competitividade e sustentabilidade. (Foto: Saul Schramm)

A recuperação de pastagens degradas tem rendido destaque nacional à Mato Grosso do Sul. Jaime Verruck, gestor da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), aponta a prática como uma das prioridades estratégias do Estado para garantir competitividade, sustentabilidade e segurança alimentar. O secretário afirma que MS está mostrando ao Brasil que é possível produzir mais, com responsabilidade ambiental e tecnologia.

Com cerca de 4,7 milhões de hectares de pastagens degradadas passíveis de recuperação no território sul-mato-grossense, o Governo do Estado conduz esse desafio histórico dentro do setor que é um dos motores da nova economia verde. A combinação entre políticas públicas estruturantes, crédito sustentável e inovação colocou Mato Grosso do Sul entre as lideranças nacionais em manejo responsável do solo e da água.

Para tal, diversas iniciativas já foram implementadas. O conjunto de programas estaduais voltados ao uso eficiente do solo e da água forma uma das bases do avanço estadual na sustentabilidade agropecuária. Entre eles estão o Prosolo, MS Irriga, Plano ABC+ MS, Precoe MS, FCO Verde e o mais recente PSA, que é o pagamento por serviços ambientais.

"Quando governo, produtores e instituições de pesquisa trabalham juntos, conseguimos acelerar a transição para uma agropecuária moderna, de baixa emissão de carbono e com alto desempenho", destacou Verruck, reforçando a posição sul-mato-grossense.

Modelo para o Brasil

Com planejamento técnico, uso intensivo de ciência e políticas públicas permanentes, Mato Grosso do Sul consolida sua posição como referência em pecuária de baixo carbono e agropecuária sustentável, equilibrando produção, competitividade e conservação ambiental.

Estudos de instituições como LAPIG e MapBiomas mostram que o Estado está entre os que possuem maior extensão de áreas classificadas com baixo vigor de pastagem. Uma parte significativa desse território está no Pantanal, onde a dinâmica natural e a presença de vegetação nativa não caracterizam degradação causada por ação humana - dado importante para orientar políticas e evitar distorções.

Segundo o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), a degradação observada em MS é resultado, principalmente, de práticas antigas da pecuária extensiva, com baixa taxa de lotação e pouco uso de manejo e adubação.

O desgaste do solo e a queda na produtividade das forrageiras exigiram uma resposta robusta, que hoje se consolida como política de Estado.

A lista de políticas públicas é esta:

  • Prosolo: programa de restauração de áreas afetadas por erosão, implantando práticas conservacionistas, recuperando a fertilidade do solo e melhorando estradas vicinais.
  • MS Irriga: programa de ampliação da irrigação sustentável e de uso racional da água para intensificação produtiva.
  • Plano ABC+ MS: plano que promove sistemas integrados como ILPF, plantio direto, uso de bioinsumos e manejo de resíduos.
  • Precoce MS: programa de incentivo ao manejo eficiente e à pecuária de baixo carbono.
  • FCO Verde: linha de crédito voltada à recuperação produtiva e projetos sustentáveis; entre 2020 e 2024, foram R$ 812 milhões destinados a 771 projetos.
  • PSA: programa de Pagamento por Serviços Ambientais, que oferece recompensa financeira a produtores que conservam solo e água.

Credibilidade internacional

A Semadesc e o Fundems estão investindo R$ 7,6 milhões em certificação e monitoramento de carbono na soja e no milho, alinhando o Estado às exigências dos principais mercados globais.

Na pecuária, além do status de área livre de febre aftosa sem vacinação, alcançado em 2025, Mato Grosso do Sul avança na implantação do seu Sistema Estadual de Rastreabilidade Bovina, com início previsto para 2026 e cobertura total até 2032.

O Estado também desenvolve o Selo Verde, que vai integrar dados ambientais e produtivos, garantindo transparência socioambiental às cadeias da carne e da soja.

Liderança e capacitação de impacto

Mato Grosso do Sul é líder nacional em áreas com ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), com mais de 3,6 milhões de hectares. O avanço desses sistemas integrados contribui para diversificar renda, reduzir pressão por novas aberturas e melhorar a fertilidade do solo.

O Estado também está entre os cinco maiores consumidores de bioinsumos do país, impulsionado pelo Programa Estadual de Bioinsumos, criado em 2022. Paralelamente, projetos de confinamento sustentável e intensificação de pastagens ampliam produtividade e garantem bem-estar animal.

Em parceria com Agraer, Senar e instituições federais, o Estado também realiza capacitações para adoção de práticas conservacionistas e de baixo carbono. Entre os destaques estão os projetos Carbono ATeG, que auxilia produtores a mensurar e reduzir emissões de gases de efeito estufa, e o projeto ABC Cerrado, que realiza treinamentos em Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, plantio direto e florestas plantadas.

"Nossa meta é chegar ao produtor com assistência técnica de qualidade e acesso a crédito sustentável, garantindo que cada propriedade tenha as condições para produzir mais e conservar mais", reforçou Verruck.

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