Ariranha é considerada símbolo da conservação dos rios do Pantanal.
(Foto: Eduardo Mello/IHP)
Uma nova frente de pesquisa no Pantanal vai usar gravações sonoras para acompanhar a rotina das ariranhas na Serra do Amolar, região localizada entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e considerada um dos principais refúgios da espécie no país. A iniciativa reúne o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Log Nature, empresa especializada em soluções tecnológicas voltadas à pesquisa ambiental.
O anúncio ocorreu nesta terça-feira (27), data em que é celebrado o Dia Mundial das Lontras. O projeto prevê a instalação de gravadores de alta fidelidade nas “locas”, abrigos naturais utilizados pelas ariranhas às margens do rio Paraguai. A proposta é registrar sons emitidos pelos grupos para entender padrões de comportamento, alertas, disputas territoriais e formas de comunicação da espécie.
Considerada a maior lontra do mundo, a ariranha (Pteronura brasiliensis) ocupa o topo da cadeia alimentar e é vista por pesquisadores como uma espécie-chave para o equilíbrio dos ambientes aquáticos. A presença do animal indica qualidade ambiental em rios, corixos e baías do Pantanal. Popularmente chamada de “onça d’água”, a espécie enfrenta ameaças históricas e recentes, como caça ilegal, destruição de habitat, poluição e incêndios florestais.
Atualmente, a ariranha é classificada oficialmente como Em Perigo (EN) de extinção no Brasil. O cenário de risco também entrou nas discussões internacionais sobre biodiversidade durante a COP15 realizada neste ano em Campo Grande, quando a espécie foi apontada como prioridade em ações de conservação.
O novo sistema amplia o trabalho já realizado pelo IHP na Serra do Amolar, onde equipes monitoram grupos de ariranhas por meio de expedições terrestres e aquáticas, além de armadilhas fotográficas instaladas em áreas estratégicas. A tecnologia bioacústica surge agora como uma ferramenta complementar para aumentar a capacidade de detecção dos animais sem contato direto.
“A bioacústica potencializa o desenvolvimento da pesquisa científica envolvendo a espécie e vai permitir compreendermos a dinâmica social desses animais sem interferir na rotina deles. Posteriormente, vamos conseguir decodificar vocalizações de alerta, interações territoriais e a comunicação íntima entre os membros dos grupos. É a tecnologia avançada gerando dados brutos para salvar o coração do Pantanal”, explica Wener Hugo Moreno, coordenador de Biodiversidade do IHP.
Segundo os pesquisadores, a escolha da Serra do Amolar ocorreu devido ao elevado nível de conservação ambiental da região. Cortada pelo rio Paraguai, a área abriga importantes populações da espécie e concentra um dos cenários mais preservados do bioma pantaneiro.
Os dados obtidos pelo monitoramento serão compartilhados com o Plano de Ação Nacional para Conservação da Ariranha (PAN Ariranhas), coordenado pelo Cenap/ICMBio, do qual o IHP participa. As informações devem subsidiar políticas públicas, pesquisas científicas e estratégias ligadas à preservação dos recursos hídricos e ao ecoturismo sustentável na bacia pantaneira.
A parceria entre o IHP e a Log Nature já vinha sendo desenvolvida desde janeiro de 2025, quando as instituições iniciaram ações de monitoramento por meio de armadilhas fotográficas. Os esforços ganharam reforço diante das estimativas que apontam redução de até 40% na distribuição da espécie em território brasileiro.
Além do acompanhamento da fauna, a Log Nature atua em projetos ligados à conservação da biodiversidade, monitoramento ambiental e pesquisas científicas em diferentes biomas do país. Já o IHP, fundado em 2002 em Corumbá, desenvolve ações voltadas à proteção do Pantanal, recuperação ambiental e apoio a comunidades tradicionais.
*Com informações da assessoria de comunicação do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
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