Washington Washington L. Castro, Jr., CEO – ICC Group - USA.
(Foto: Editada por IA)
No Brasil, o cidadão nasce devendo, trabalha pagando, consome contribuindo e morre financiando. É uma trajetória de vida admirável do ponto de vista arrecadatório.
A União cria impostos para manter a máquina pública. Os Estados criam impostos para complementar a máquina pública. Os Municípios criam impostos para sustentar a máquina pública. E o contribuinte trabalha para sustentar as três máquinas ao mesmo tempo.
Enquanto isso, o cidadão comum desenvolve uma habilidade única no planeta: pagar imposto sem perceber. Está embutido na gasolina, na energia elétrica, no supermercado, no telefone, no aluguel, no transporte, no remédio e até na cerveja usada para esquecer os impostos anteriores.
O brasileiro não é apenas um contribuinte. É um patrocinador oficial do Estado em suas três esferas.
Em Brasília, criam-se programas.
Nos Estados, criam-se taxas.
Nos Municípios, criam-se contribuições.
E quando o dinheiro não é suficiente, cria-se uma nova nomenclatura para cobrar novamente.
O mais impressionante é a criatividade tributária nacional. Em muitos países, o governo tributa a renda recebida. No Brasil, por vezes discute-se tributar rendimentos que sequer chegaram efetivamente ao bolso do contribuinte. É uma espécie de imposto sobre a expectativa de riqueza.
A lógica parece simples:
— Se você ganhou, pague.
— Se você não ganhou, explique por que não ganhou.
— Se um dia talvez venha a ganhar, prepare-se para pagar também.
Estados e Municípios seguem a mesma filosofia. IPTU aumenta porque a cidade evoluiu. IPVA aumenta porque o carro envelheceu. Taxas aumentam porque os custos aumentaram. E o salário? Esse continua aguardando sua vez na fila do reajuste.
O contribuinte brasileiro vive uma experiência única: financia governos federal, estadual e municipal, mas continua pagando escola particular, plano de saúde privado, segurança privada e previdência complementar.
Em outras palavras, paga duas vezes pelo mesmo serviço e ainda agradece quando o atendimento funciona.
A grande reforma tributária brasileira talvez não seja criar novos impostos, novas siglas ou novos sistemas eletrônicos.
Talvez a verdadeira inovação seja responder uma pergunta simples:
Quanto do fruto do trabalho deve permanecer com quem trabalhou?
Até lá, o Brasil continua sendo uma potência mundial em arrecadação de criatividade tributária.
E o contribuinte segue firme, forte e resiliente...
Financiando a experiência.
Vai Brasil!
Washington L. Castro, Jr.
CEO – ICC Group - USA
https://icc.holdings/
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