Segunda-feira, 15 de Junho de 2026
Entrelinhas

A República Federativa da Tributação

15 jun 2026 - 10h14   atualizado às 10h19

Articulistas convidados

A República Federativa da Tributação Washington Washington L. Castro, Jr., CEO – ICC Group - USA. (Foto: Editada por IA)

No Brasil, o cidadão nasce devendo, trabalha pagando, consome contribuindo e morre financiando. É uma trajetória de vida admirável do ponto de vista arrecadatório.

A União cria impostos para manter a máquina pública. Os Estados criam impostos para complementar a máquina pública. Os Municípios criam impostos para sustentar a máquina pública. E o contribuinte trabalha para sustentar as três máquinas ao mesmo tempo.

Enquanto isso, o cidadão comum desenvolve uma habilidade única no planeta: pagar imposto sem perceber. Está embutido na gasolina, na energia elétrica, no supermercado, no telefone, no aluguel, no transporte, no remédio e até na cerveja usada para esquecer os impostos anteriores.

O brasileiro não é apenas um contribuinte. É um patrocinador oficial do Estado em suas três esferas.

Em Brasília, criam-se programas.

Nos Estados, criam-se taxas.

Nos Municípios, criam-se contribuições.

E quando o dinheiro não é suficiente, cria-se uma nova nomenclatura para cobrar novamente.

O mais impressionante é a criatividade tributária nacional. Em muitos países, o governo tributa a renda recebida. No Brasil, por vezes discute-se tributar rendimentos que sequer chegaram efetivamente ao bolso do contribuinte. É uma espécie de imposto sobre a expectativa de riqueza.

A lógica parece simples:

— Se você ganhou, pague.

— Se você não ganhou, explique por que não ganhou.

— Se um dia talvez venha a ganhar, prepare-se para pagar também.

Estados e Municípios seguem a mesma filosofia. IPTU aumenta porque a cidade evoluiu. IPVA aumenta porque o carro envelheceu. Taxas aumentam porque os custos aumentaram. E o salário? Esse continua aguardando sua vez na fila do reajuste.

O contribuinte brasileiro vive uma experiência única: financia governos federal, estadual e municipal, mas continua pagando escola particular, plano de saúde privado, segurança privada e previdência complementar.

Em outras palavras, paga duas vezes pelo mesmo serviço e ainda agradece quando o atendimento funciona.

A grande reforma tributária brasileira talvez não seja criar novos impostos, novas siglas ou novos sistemas eletrônicos.

Talvez a verdadeira inovação seja responder uma pergunta simples:

Quanto do fruto do trabalho deve permanecer com quem trabalhou?

Até lá, o Brasil continua sendo uma potência mundial em arrecadação de criatividade tributária.

E o contribuinte segue firme, forte e resiliente...

Financiando a experiência.

Vai Brasil!

Washington L. Castro, Jr.
CEO – ICC Group - USA
https://icc.holdings/

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