"Trem da Morte" liga a fronteira do Brasil com Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
(Foto: Melhores Destinos)
O Expresso Oriental, mas conhecido como “Trem da Morte”, que liga a fronteira do Brasil a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, voltou a circular com passageiros. Após seis anos, o trem retomou as atividades em fevereiro deste ano.
Do vilarejo boliviano de Puerto Quijarro, na divisa com Corumbá (MS), partem os trens rumo à Santa Cruz de La Sierra, uma das principais cidades do país vizinho. Há dois tipos de viagem: uma custa aproximadamente 35 dolares (chamado ferrobus) e o outro é o Expresso Oriental, com custo aproximado de 10 dólares americanos.
O apelido assustador, "Trem da Morte", nada tem a ver com perigo de acidentes. Existem duas possíveis origens para o nome popular: uma delas, seriam as mortes de trabalhadores por doenças tropicais durante a construção da linha; outra possível razão, seria o uso do trem para transportar pessoas doentes durante o surto de febre amarela no século XX. O fato é que o trem liga duas cidades com um patrimônio histórico cultural surpreendente: Corumbá e Santa Cruz de la Sierra.
O Porto Geral de Corumbá é um dos conjuntos históricos mais significativos do Brasil, representando o apogeu econômico da região entre o final do século XIX e o início do XX. Naquela época, Corumbá abrigava o terceiro maior porto fluvial da América Latina. O local é um dos principais cartões postais da Capital do Pantanal e abriga uma série de construções que traduzem em sua arquitetura, um testemunho material da riqueza acumulada, apresentando características que refletem a influência europeia, com fachadas ornamentadas e estruturas imponentes. Em 1992, o Casario do Porto foi tombado como Patrimônio Histórico Nacional.
O Centro Histórico de Santa Cruz de la Sierra é o local onde estão alguns dos principais atrativo da cidade. Ali, há uma aglomeração de edifícios coloniais e vários pequenos museus e teatros que fazem a cidade ser a mais visitada da Bolívia.
As duas cidades também tem problemas comuns que se relacionam: lixos nas ruas e problemas de drenagem. Por dificuldade da educação ambiental dos moradores, as cidades já registraram grandes inundações. A última, em Corumbá foi no dia 27 de janeiro deste ano e deixou ruas submersas, imóveis alagados e famílias desabrigadas. Já em Santa Cruz de Lá Sierra, a última inundação foi ainda neste mês de abril.
Cabe as escolas e as famílias iniciarem um processo educativo permanente sobre cuidado do meio ambiente e reciclagem de lixo. Além da criação de políticas públicas e planejamento estrutural adequado para drenagem pluvial, essencial para o escoamento das águas das chuvas.
Artigo de Cristiano Trindade De Angelis, pesquisador independente na Skema Business School (França), professor de graduação e pós-graduação e autor de livros na área de Gestão do Conhecimento e Meio Ambiente. Contato: https://cristianodeangelis.github.io/
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