Ex-prefeito foi punido por nomear parentes em cargos públicos e terá bens bloqueados pela Justiça.
(Foto: Redes Sociais/Instagram)
O ex-prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes, foi condenado por nepotismo após nomear familiares para cargos comissionados durante sua gestão. A decisão é da 3ª Vara Cível da Comarca de Corumbá, que determinou o pagamento de uma multa equivalente a cinco vezes o valor do salário recebido entre março e dezembro de 2019, acrescida de juros e correção monetária.
Além da multa, Iunes está proibido por dois anos de firmar contratos com o poder público e de receber benefícios fiscais ou financeiros. A sentença também anulou as nomeações do irmão e do concunhado, consideradas irregulares, confirmando uma liminar anterior que já havia determinado as exonerações.
O juiz baseou a condenação na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992), no artigo 37 da Constituição Federal, no artigo 27 da Constituição Estadual e na Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a nomeação de parentes em cargos de confiança.
A ação foi movida pela 5ª Promotoria de Justiça de Corumbá, que apontou que o ex-prefeito manteve parentes em funções públicas mesmo após recomendação formal do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para anular as nomeações. Segundo o MP, a cunhada de Iunes atuava como gerente de Proteção Social Básica, o concunhado era assessor executivo III na Secretaria de Educação e o irmão ocupava o cargo de presidente da Junta Interventora da Santa Casa, sob intervenção do município.
O órgão ministerial destacou que a prática de nepotismo “privilegia interesses pessoais e fere os princípios da legalidade e moralidade pública”. O MP também pediu que o município adote medidas para impedir novas contratações semelhantes, evitando reincidência. Após o trânsito em julgado, o caso será registrado no Cadastro Nacional de Condenações por Improbidade Administrativa e comunicado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS).
Em resposta, Marcelo Iunes afirmou que pretende recorrer da decisão. Ele argumenta que seu irmão é servidor de carreira e que sua nomeação como diretor-presidente da Junta Interventora da Santa Casa ocorreu “com status de secretariado, equivalente ao cargo de diretor-presidente de uma agência ou fundação, atuando como ordenador de despesas”. Sobre o concunhado, o ex-prefeito defende que “a Súmula Vinculante nº 13 não faz qualquer menção a esse grau de parentesco.”
Paralelamente, Iunes também é alvo de outra ação civil pública, na qual a Justiça determinou o bloqueio de bens até o limite de R$ 143.248,40. A decisão, que manteve o bloqueio após recurso negado, está relacionada a um financiamento do FONPLATA (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata). Segundo o MPMS, o ex-prefeito teria deixado de quitar uma parcela do empréstimo em 2023, o que levou a União a cobrir o débito e causou prejuízo aos cofres municipais.
A defesa de Iunes sustenta que o atraso ocorreu devido à queda na arrecadação do município e nega irregularidades. O mérito da ação ainda será analisado pela Justiça.*Com informações do Campo Grande News.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Leia Também
Prefeitura decreta ponto facultativo na terça-feira em Corumbá
Projeto propõe Semana do Orgulho Corumbaense no calendário da cidade
Alvo da PF, candidato a deputado diz não saber como fazenda contrata
Hanna sugere sinalização mais eficiente dos pontos turísticos de Corumbá
Jovan cobra providências para conter processo erosivo na área urbana
Prefeitura publica resultado da análise de elegibilidade dos Residenciais Ipês I e II
Articulação de Paulo Duarte garante avanço para construção de casas populares em Corumbá
Hanna defende intervenções na drenagem de águas pluviais
Locais de votação em Corumbá e Ladário sofrem alterações