Terça-feira, 14 de Julho de 2026
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Palermo é transferido para Campo Grande após prisão na Bolívia

27 mai 2026 - 17h12   atualizado em 28/05/2026 às 09h59

Danielly Carvalho

Palermo é transferido para Campo Grande após prisão na Bolívia Gerson Palermo escoltado por agentes da polícia boliviana para ser entregue à PF em Santa Cruz da La Sierra. (Foto: Juan Carlos Torrejón/El Deber)

Sob escolta de forças policiais da Bolívia e do Brasil, o narcotraficante Gerson Palermo deixou Santa Cruz de La Sierra no fim da manhã desta quarta-feira (27) rumo ao Brasil. Apontado como uma das lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital), ele embarcou em uma aeronave da Polícia Federal e deve chegar a Campo Grande no início da tarde.

A movimentação no Aeroporto Internacional de Viru Viru contou com forte aparato de segurança. Segundo informações divulgadas pelo jornal boliviano El Deber, Palermo foi levado até o terminal sob acompanhamento da FELCN (Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico) e entregue aos agentes federais brasileiros responsáveis pela transferência.

Algemado, o criminoso desceu de um veículo oficial cercado por policiais bolivianos e brasileiros. Vestindo roupas escuras e chinelos, evitou contato com a imprensa que acompanhava a operação no aeroporto.

O transporte ocorre em um dos aviões utilizados pela Polícia Federal em operações sigilosas. O trajeto entre Santa Cruz de La Sierra e Campo Grande dura cerca de duas horas. A informação é de que Palermo será encaminhado para a Penitenciária Federal de Campo Grande.

A retirada do traficante por via aérea foi definida após o plano inicial de transferência terrestre ser cancelado. A entrega ocorreria na fronteira entre Puerto Quijarro, na Bolívia, e Corumbá, mas bloqueios em estradas bolivianas, provocados por protestos, impediram o deslocamento das equipes. Diante do cenário, a Polícia Federal enviou uma aeronave de Brasília para concluir a operação.

Prisão após seis anos foragido

Foragido da Justiça há seis anos, Palermo foi preso na madrugada de terça-feira (26) em uma residência na cidade de Cotoca, município localizado a aproximadamente 19 quilômetros de Santa Cruz de La Sierra.

A captura aconteceu durante ação conjunta do GIOE Oriente-GER (Grupo de Inteligência e Operações Especiais) da Bolívia com a Polícia Federal brasileira. Após ser detido, ele foi encaminhado para a sede da Interpol boliviana, onde permaneceu até os trâmites de entrega às autoridades brasileiras.

Condenações e histórico criminal

As condenações atribuídas a Gerson Palermo ultrapassam 126 anos de prisão por crimes ligados ao tráfico internacional de drogas, roubos a bancos e sequestros.

O nome dele ganhou repercussão nacional em 2000, após participar do sequestro de um avião da Vasp que fazia a rota entre Foz do Iguaçu e Curitiba. Durante o voo, integrantes armados dominaram passageiros e tripulantes e obrigaram o piloto a pousar em uma pista clandestina em Querência do Norte (PR).

No local, outro grupo aguardava para roubar cerca de R$ 5 milhões transportados no compartimento de cargas da aeronave. Após a ação, os criminosos fugiram levando o dinheiro.

As investigações apontam que, anos depois, Palermo passou a integrar a estrutura do PCC, utilizando a Bolívia como base para operações ligadas ao tráfico internacional e à lavagem de dinheiro.

Segundo o El Deber, o traficante vivia em Cotoca se apresentando como fazendeiro. A cidade boliviana possui economia voltada principalmente à agropecuária.

Ligação com investigação em Mato Grosso do Sul

Palermo também é apontado como peça central no caso envolvendo o desembargador Divoncir Schreiner Maran, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O magistrado é investigado sob suspeita de vender sentença após conceder liberdade ao traficante durante a pandemia, período em que ele voltou a fugir.

A investigação que levou à prisão do criminoso começou há cerca de sete meses em Mato Grosso do Sul, após Palermo ordenar o sequestro da própria filha, em Campo Grande.

A jovem, de 25 anos, foi mantida em cativeiro em uma residência nas Moreninhas e sofreu tortura antes de ser libertada. A partir do caso, equipes da Polícia Civil, Polícia Federal e forças antidrogas da Bolívia passaram a atuar de forma integrada até localizar o paradeiro do traficante.

O comandante departamental da Polícia de Santa Cruz, David Gómez, afirmou ao El Deber que a prisão ocorreu dentro do chamado “Plano Falcão”, estratégia criada para combater organizações criminosas e reforçar o controle em áreas de fronteira com o Brasil.

As investigações ainda apontam que Palermo mantinha uma estrutura logística voltada ao transporte internacional de cocaína, utilizando aeronaves, caminhões e veículos para movimentação da droga.

*Com informações do Campo Grande News. 

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